Mostrar mensagens com a etiqueta Kathmandu. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Kathmandu. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Nepal/Índia - Dia 12 (Kathmandu e Goa)

O dia ainda por nascer anunciou o final da estadia no Nepal, mas ainda estava guardado um novo momento especial.

Há medida que o avião fazia o seu percurso ascendente, o gigante Evereste surge magnânimo no horizonte, erguendo-se acima da própria altitude do avião, como que a saudar e ao mesmo tempo a despedir-se de nós, ladeado por toda a cordilheira dos Himalaias que se estende a perder de vista, acompanhando, como se de uma corte se tratasse, todo o trajecto do avião, para lá do próprio Nepal.

Era o momento da despedida em direcção a Nova Deli para dali rumar a Goa, o último destino deste roteiro.

Pelo meio um sobressalto mais ou menos comum para quem tem de apanhar um voo de ligação, isto é, a possibilidade de perder o voo seguinte, em virtude do reduzido tempo de escala em Nova Deli, o que obrigou a uma correria após a aterragem do avião da Nepal Airlines.

Tudo correu pelo melhor e nem se diga que a sucessão de formalismos ao entrar na Índia (tratava-se para todos efeitos de uma reentrada com tudo o que isso implica) constituíram um obstáculo adicional. Afinal de contas estava-me reservado o lugar 22 no avião da Vistara (companhia aérea local). Curioso....

As primeiras impressões de Goa permitem concluir tratar-se de uma região substancialmente diferente das demais regiões anteriormente visitadas na Índia.

Este estado situado no sul da Índia é fortemente marcado por um clima tropical, com traços que recordam algumas zonas no Brasil, com uma grande profusão de coqueiros, tal como a terra avermelhada lembrará a alguns o continente africano, sendo igualmente verdade que a tez dos goenses é igualmente mais escura do que no norte da Índia.

Mas aquilo que mais impressiona e até comove é constatar que neste local, tão distante do nosso, existem inúmeras referências a Portugal, seja nas diversas igrejas cristãs, claramente datadas do período colonial, seja na referência constante a nomes e apelidos portugueses.

Mas o ponto alto do dia estava reservado para o final.

Hoje pude ver, numa das suas muitas praias, o pôr do sol em Goa.

As águas quentes e agitadas do Índico tornaram especial estas primeiras horas em Goa, no mesmo local onde outros se banhavam, brincando que nem crianças que viam o mar pela primeira vez, quase sempre com trajes que dificilmente se associam a fatos de banho.

A praia, bastante ventosa, era percorrida de uma ponta à outra, por dezenas de pessoas que aproveitavam o final de tarde e aquele sol maravilhoso que se despedia de todos pouco a pouco.

Amanhã, último dia completo desta jornada na Índia, vamos percorrer os caminhos da presença portuguesa em Goa.



quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Nepal - Dia 11 (Phokara e Kathmandu)

Hoje assisti ao nascer do sol a reflectir a sua imensa luz sobre os Himalaias.

Em bom rigor poderia terminar por aqui o registo de mais um dia em território nepalês, porque um dia que bem cedo se iniciou - 6 horas da manhã - permite um avistamento de tamanha beleza não precisaria de muito mais que pudesse torná-lo de alguma forma ainda melhor.

Contudo, a minha "missão" é transformar esse e os restantes momentos vividos numa experiência literária, ainda que reconhecidamente modesta, que permita a que a lê percepcionar o melhor possível as sensações que resultam da vivência pessoal de uma viagem que, até ao momento, se tem revelado  absolutamente inolvidável.

Nessa medida o melhor será mesmo começar por referir que a vinda ao Nepal, ainda que de curta duração, não estava inicialmente prevista tendo surgido a possibilidade da sua inclusão, com um custo adicional que claramente justificava essa opção, na certeza de que a probabilidade de, num futuro mais ou menos imediato, agendar umas férias neste território não seria propriamente exequível.

A favor, a possibilidade de conhecer um novo país, em concreto, uma cidade mítica, a capital Kathmandu.

Contra, o facto de não haver certeza absoluta da situação da cidade, nomeadamente dos seus principais pontos de interesse, em consequência do fortíssimo sismo ocorrido no ano de 2015.

A verdade é que a opção se revelou totalmente acertada embora, curiosamente, a grande surpresa tenha sido a visita à cidade de Pokhara.

Se o dia de véspera já antevera a enorme beleza natural deste local, nada nos prepara para a imagem que se nos depara ao ter a possibilidade de ver o nascer do sol sobre os Himalaias, nomeadamente sobre uma das suas maiores montanhas, o Annapurna.

A partir de um terraço situado no monte Sarangkot, a cerca de 1400 mts de altitude, a imagem que vai surgindo aos nossos olhos à medida que o sol vai nascendo é inacreditavelmente bela.

Aos poucos o majestoso, silencioso, sagrado e até mesmo assustador Annapurna vai-se revelando, juntamente com a sua neve branca que, durante uns momentos, assume um tom rosado, parecendo que aqueles 8000 metros de altitude se erguem tão próximos de nós não parecem maiores do que a montanha a partir da qual presenciamos tão belo espectáculo da natureza.

Cada novo minuto é uma nova revelação e até as nuvens parecem querer ajudar a compor o memorável momento que se vivia, guardando para mais tarde o encerrar das "cortinas", como se a montanha fosse afinal um animal selvagem que apenas se deixa ver quando o próprio assim o entende.

Era então tempo de deixar aquele local e aquelas imagens impossíveis de descrever com a fiabilidade que o momento exigiria.

A despedida em beleza de Pokhara aproximava-se não sem antes podermos participar em mais um momento místico, num templo dedicado ao Deus Vishnu, o Deus protector, tendo tocado na estátua em sinal de respeito e sido, em seguida, brindado com o toque de tinta (tika) no centro da testa que, como se fora uma bênção, representa para os hindus a fonte da energia, a terceira visão.

Agora sim era tempo de nos despedirmos de Pokhara, um experiência que não nos poderia ocorrer no momento da decisão de fazer incluir ou não o Nepal no roteiro de viagem.

Dispensarei as referências à longa viagem de regresso, sabendo-se de antemão que os 200 kms a que me refiro estão longe de ser percorridos num curto espaço de tempo.

À chegada à capital que, diga-se, tem 2,5 milhões de habitantes, isto é, pouco menos de metade da totalidade da população do Nepal, revestia-se de alguma ansiedade uma vez que o tempo disponível para a conhecer era relativamente escasso, sobretudo tendo em conta que o sol se põe relativamente cedo.

Ainda assim foi possível visitar dois dos principais marcos culturais da cidade de Kathmandu, o tempo hindu de Pashupati, datado do século IV d.c., onde se fazem igualmente rituais de cremação, e onde é possível visualizar templos dedicados a Shiva, Deus da criação e da destruição, e Vishnu, anteriormente referido.

É também neste local que se podem encontrar dezenas de macacos, autênticos donos de todo aquele espaço, que reagem agressivamente se confrontados com um olhar por parte daquele que lhe sucedeu na evolução, e os santos, figuras humanas, dignas de postais ilustrados, que vivem na mais absoluta indigência e que se vestem e pintam de uma forma que apela ao mais profundo misticismo destes locais.

Noutro local da cidade a visita seguinte determinou a mudança de religião para o budismo no templo de Bouddhanath, onde se ergue ao centro uma imponente Stupa, edifício totalmente maciço onde existe sempre no seu interior uma relíquia, seja um osso, seja um livro sagrado.

Este edifício do século VI d.c. ficou parcialmente destruído com o terramoto, estando agora na fase final de reconstrução.

Trata-se de um local que é maioritariamente frequentado por monges tibetanos, fugidos da perseguição chinesa no Tibete, que ali formaram nos tempos mais recentes uma forte comunidade.

É tempo de nos despedirmos do Nepal, local a que apetece voltar um dia mais tarde para melhor o conhecer, e ir ao encontro de um território, novamente em solo indiano, que faz parte da história de portugal, e que remete para o ano de 1510 e ao almirante Afonso de Albuquerque.

Não sem antes repetir: hoje vi o sol nascer sobre os Himalaias.













terça-feira, 11 de outubro de 2016

Nepal - Dia 10 (Kathmandu e Pokhara)

A breve estadia no Nepal permite confirmar algumas "suspeitas" da noite anterior, isto é, trata-se de um país com uma melhor distribuição de riqueza, não se percebendo de forma tão notória sinais de pobreza extrema como na Índia, sendo evidente uma maior limpeza das ruas, poucos animais a circular por essas mesmas ruas e até algum nível de planeamento urbanístico (à falta de melhor palavra).

Contudo, a falta de movimento de pessoas e viaturas nas ruas será provavelmente ilusório uma vez que nesta altura decorre no Nepal um período de férias de duas semanas, devidas a celebrações religiosas, o denominado Dashain, durante as quais se celebra de forma bastante notória esse período seja porque quase todas as mulheres e meninas (os homens nem tanto) se vestem de forma quase idêntica, com trajes vermelhos vivos e engalanadas com adereços alusivos às festividades, seja porque basicamente todos os serviços públicos estão fechados durante esse período.

É também notório que o tempo no Nepal não é tão quente e com uma humidade relativa consideravelmente mais baixa do que na Índia facto a que, presumo, não seja alheio este território se situar quase totalmente acima dos 1000 metros de altura e estar literalmente rodeado das maiores montanhas no mundo.

Ficando a visita a Kathmandu propriamente dita para quarta-feira, dirigimo-nos à cidade de Pokhara, que distam uma da outra em cerca de 200 kms, nada que não se faça em... 6 horas.

E isto porquê se nem há trânsito conforme atrás se referiu?

Junte-se uma estrada que frequentemente parece mais uma picada, a um ziguezaguear permanente pela montanha e uma viatura que raramente "mete a quinta" e facilmente se perceberá o porquê.

Felizmente o trajecto é absolutamente deslumbrante, sempre por montanhas repletas de densas florestas ou com vastas plantações agrícolas (em especial o arroz) e grandes vales banhados por rios cujo caudal provém dos Himalaias, para se compreender que não pode existir qualquer monotonia numa viagem que permite observar as luxuriantes paisagens do Nepal, sempre com as montanhas em fundo, autênticas rainhas do horizonte.

Pokhara é uma cidade surpreendentemente turística, por se situar numa zona que permite usufruir de um conjunto de facilidades, nomeadamente desportos radicais, trekking pelas montanhas, sendo também "vizinha" de uma das montanhas mais procuradas pelos alpinistas, o Annapurna, apesar deste se esconder grande parte do dia tal como a sua abundante neve atrás das espessas nuvens.

Por tudo isto Pokhara acaba por ter uma oferta hoteleira e de restauração bastante assinalável e de qualidade acima da média, onde até é possível comer porco ou optar por um restaurante de outras latitudes (no nosso caso a escolha recaiu, e ainda bem, por um Coreano).

Mas não foram esses os motivos que nos trouxeram até Pokhara.

O que verdadeiramente nos trouxe foi a possibilidade de usufruir da sua abundante riqueza natural, entre a qual se destaca fortemente o seu enorme e limpo lago (o segundo maior do Nepal), ladeado por uma imensa floresta, onde reina o silêncio ou onde é possível avistar um deslumbrante pássaro de asas azuis, de nome Kingfisher, curiosamente o nome da principal cerveja da Índia.

Outros são os motivos para a vinda a Pokhara, mas apenas serão revelados amanhã e para isso será necessário acordar às 04:30 da manhã.

Talvez alguns entendam que estes "sacrifícios" (fazer horas seguidas de carro ou levantar cedíssimo) não serão verdadeiras férias. Mas acreditem e acho que todos sabemos mais ou menos isto: quando estamos onde queremos e com queremos estar, não há nada mais recompensador do que ter umas férias assim.




segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Índia/Nepal - Dia 9 (Varanasi e Kathmandu)

A visita à cidade de Varanasi e a possibilidade de desfrutar de toda a vida e espiritualidade desta terra que, afinal de contas, é santa para os hindus marca, simbolicamente, o fim da viagem pelo norte da Índia e o início de um novo roteiro que nos há-de levar em seguida ao Nepal e, por fim, ao sul da Índia, mais concretamente a Goa.

Por isso, o dia de hoje foi dedicado - se é que assim se pode dizer - a gozar um pouco mais do "vale dos lençóis" e de alguma leitura junto à piscina do hotel para, em seguida, entrar no frenesim das caminhadas pelos aeroportos, naquela sempre entusiasmante tarefa de fazer o check-in, passar não sei quantas vezes pela segurança, mostrar sucessivamente o cartão de embarque e passaporte até que finalmente nos sentamos a bordo do avião, fazendo votos que corra tudo bem, para logo em seguida seguirmos para a recolha de bagagens (e rezar para que não se tenham perdido) para uma vez mais repetir todo cerimonial e voltar a embarcar.

Isto porque para quem está em Varanasi e quer chegar a Kahtmandu tem de fazer um primeiro voo de cerca de hora e meia até Nova Dehli, na companhia aérea Jet Airways e, em seguida, fazer pouco mais de uma hora de vôo até ao destino final, desta feita na Nepal Airlines.

Tudo tranquilo e sem sobressaltos como se quer nestas ocasiões.

E porque um dia assim passado tem a particularidade de pouco ou nada ter para se dizer sobre ele, pelo que farei uso de uma "arma" de muitos poetas e escritores e dedicar-me-ei à divagação.

Não se pense, contudo, que uma tal opção implicará igualmente o recurso a uma qualquer forma de abstração.

Não será o caso e pegando precisamente naquela que será a marca fundamental de Varanasi - a sua profunda espiritualidade - talvez faça sentido voltar aos assuntos do corpo e, por isso mesmo, voltarei agora ao tema da alimentação, depois de num primeiro momento a ela me ter referido numa lógica de cuidados a ter, para agora me debruçar sobre o tipo de alimentação.

Esqueçam, conforme referi anteriormente, a carne de vaca de de porco. Embora existam aos milhares e por toda a parte não estão disponíveis para fazer parte de um qualquer menu, a primeira porque é sagrada o segundo porque apenas os pobres o comem.

Por isso a alimentação faz-se numa base dupla: vegetariana e não vegetariana.

Desde que chegamos somos aconselhados a não optar por restaurantes de rua ou não seleccionados  pelo guia ou condutor. "It's not good for your stomach", dizem eles. À falta de capacidade de contraditório opta-se pela via mais simples e pelos vistos menos arriscada, e assume-se como boa a escolha que nos é proposta (sem nunca impor, diga-se).

Esses restaurantes são quase sempre identificamos como sendo "multicuisine", isto é, será possível encontrar na respectiva ementa algo mais do que comida indiana, quase sempre chinesa e alguma coisa de italiano.

Como estas oportunidades - que, afinal de contas, são raras na nossa vida - entendo que a opção correcta é adaptar o ditado que nos diz que "em Roma sê romano" e, por isso mesmo, a minha atenção centra-se em exclusivo naquilo que a culinária indiana tem para nos oferecer. Ou seja, "na Índia, sê indiano".

Embora limitada, conforme referi, em termos daquilo que pode ser comido, acaba por ser relativamente ampla considerando as variações que existem nos pratos de carneiro (seekh), galinha (murgh), cabra (bhuna) ou camarão (jhinga), quase sempre acompanhado com arroz (excelente, diga-se) e pão (nan).

O custo médio de uma refeição destas fica por cerca de 7€, bebidas incluídas. Bastante em conta, portanto.

Os pratos vegetarianos são, como não podia deixar de ser à base de vegetais, ovo, queijo.

A questão principal prende-se, contudo, com o nível de "spicy" que se pretende condimentar o prato e, nesse aspecto, uma coisa deve ficar clara: são sempre picantes. Podem ser mais ou menos picantes, mas tudo tem sempre aquele toque que não deixa língua alguma indiferente.

As sobremesas não são nem muitas nem variadas, mas a fruta é genericamente boa, não fosse este um clima tropical.

Cessando por agora as divagações que, ainda assim, admito possam ser úteis a quem pretenda aventurar-se pela Índia - algo que, já se terá percebido, recomendo vivamente - e que, nessa medida, entendo a elas dedicar algum tempo, importa "regressar" à terra, mais concretamente a Kathmandu.

Não que haja muito para dizer, apenas que a primeira impressão (que não tem de ser necessariamente a que fica) é que nada tem a ver com as feéricas ruas das cidades indianas, não se vislumbrando engarrafamentos (e as correspondentes buzinadelas), lixo na rua ou animais à solta (tirando cães). Segundo nos informam durante 5 dias decorre um festival sagrado em honra aos deuses hindus.

Neste último aspecto, portanto, nada de novo.

Amanhã rumamos ao sopé dos himalaias.