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segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Índia/Nepal - Dia 9 (Varanasi e Kathmandu)

A visita à cidade de Varanasi e a possibilidade de desfrutar de toda a vida e espiritualidade desta terra que, afinal de contas, é santa para os hindus marca, simbolicamente, o fim da viagem pelo norte da Índia e o início de um novo roteiro que nos há-de levar em seguida ao Nepal e, por fim, ao sul da Índia, mais concretamente a Goa.

Por isso, o dia de hoje foi dedicado - se é que assim se pode dizer - a gozar um pouco mais do "vale dos lençóis" e de alguma leitura junto à piscina do hotel para, em seguida, entrar no frenesim das caminhadas pelos aeroportos, naquela sempre entusiasmante tarefa de fazer o check-in, passar não sei quantas vezes pela segurança, mostrar sucessivamente o cartão de embarque e passaporte até que finalmente nos sentamos a bordo do avião, fazendo votos que corra tudo bem, para logo em seguida seguirmos para a recolha de bagagens (e rezar para que não se tenham perdido) para uma vez mais repetir todo cerimonial e voltar a embarcar.

Isto porque para quem está em Varanasi e quer chegar a Kahtmandu tem de fazer um primeiro voo de cerca de hora e meia até Nova Dehli, na companhia aérea Jet Airways e, em seguida, fazer pouco mais de uma hora de vôo até ao destino final, desta feita na Nepal Airlines.

Tudo tranquilo e sem sobressaltos como se quer nestas ocasiões.

E porque um dia assim passado tem a particularidade de pouco ou nada ter para se dizer sobre ele, pelo que farei uso de uma "arma" de muitos poetas e escritores e dedicar-me-ei à divagação.

Não se pense, contudo, que uma tal opção implicará igualmente o recurso a uma qualquer forma de abstração.

Não será o caso e pegando precisamente naquela que será a marca fundamental de Varanasi - a sua profunda espiritualidade - talvez faça sentido voltar aos assuntos do corpo e, por isso mesmo, voltarei agora ao tema da alimentação, depois de num primeiro momento a ela me ter referido numa lógica de cuidados a ter, para agora me debruçar sobre o tipo de alimentação.

Esqueçam, conforme referi anteriormente, a carne de vaca de de porco. Embora existam aos milhares e por toda a parte não estão disponíveis para fazer parte de um qualquer menu, a primeira porque é sagrada o segundo porque apenas os pobres o comem.

Por isso a alimentação faz-se numa base dupla: vegetariana e não vegetariana.

Desde que chegamos somos aconselhados a não optar por restaurantes de rua ou não seleccionados  pelo guia ou condutor. "It's not good for your stomach", dizem eles. À falta de capacidade de contraditório opta-se pela via mais simples e pelos vistos menos arriscada, e assume-se como boa a escolha que nos é proposta (sem nunca impor, diga-se).

Esses restaurantes são quase sempre identificamos como sendo "multicuisine", isto é, será possível encontrar na respectiva ementa algo mais do que comida indiana, quase sempre chinesa e alguma coisa de italiano.

Como estas oportunidades - que, afinal de contas, são raras na nossa vida - entendo que a opção correcta é adaptar o ditado que nos diz que "em Roma sê romano" e, por isso mesmo, a minha atenção centra-se em exclusivo naquilo que a culinária indiana tem para nos oferecer. Ou seja, "na Índia, sê indiano".

Embora limitada, conforme referi, em termos daquilo que pode ser comido, acaba por ser relativamente ampla considerando as variações que existem nos pratos de carneiro (seekh), galinha (murgh), cabra (bhuna) ou camarão (jhinga), quase sempre acompanhado com arroz (excelente, diga-se) e pão (nan).

O custo médio de uma refeição destas fica por cerca de 7€, bebidas incluídas. Bastante em conta, portanto.

Os pratos vegetarianos são, como não podia deixar de ser à base de vegetais, ovo, queijo.

A questão principal prende-se, contudo, com o nível de "spicy" que se pretende condimentar o prato e, nesse aspecto, uma coisa deve ficar clara: são sempre picantes. Podem ser mais ou menos picantes, mas tudo tem sempre aquele toque que não deixa língua alguma indiferente.

As sobremesas não são nem muitas nem variadas, mas a fruta é genericamente boa, não fosse este um clima tropical.

Cessando por agora as divagações que, ainda assim, admito possam ser úteis a quem pretenda aventurar-se pela Índia - algo que, já se terá percebido, recomendo vivamente - e que, nessa medida, entendo a elas dedicar algum tempo, importa "regressar" à terra, mais concretamente a Kathmandu.

Não que haja muito para dizer, apenas que a primeira impressão (que não tem de ser necessariamente a que fica) é que nada tem a ver com as feéricas ruas das cidades indianas, não se vislumbrando engarrafamentos (e as correspondentes buzinadelas), lixo na rua ou animais à solta (tirando cães). Segundo nos informam durante 5 dias decorre um festival sagrado em honra aos deuses hindus.

Neste último aspecto, portanto, nada de novo.

Amanhã rumamos ao sopé dos himalaias.






sábado, 1 de outubro de 2016

Índia - Preludio

Hesitante entre apelidar o início desta viagem como sendo em bom rigor aquele que corresponde ao primeiro dia da mesma, opto por o definir como preludio, conferindo a coerência necessária aquele que será, assim o espero, como epílogo, coincidindo com o dia que será, por isso mesmo, o último.

Não sendo tarefa fácil tornar descritivo um dia que, afinal de contas, é passado sobretudo em aeroportos ou dentro de um avião, a opção poderia passar, dessa forma, por deixar o leitor ciente que uma viagem para a Índia - mais concretamente para o destino inicial em Nova Deli - é suficientemente longa para que seja necessário primeiro um voo de duas horas e dez para Londres a que se seguirá um outro, de sete horas e meia, para se chegar ao destino.

Ora, porque fica claro que para esse feito se bastam cinco linhas, então melhor será que se foque a atenção no que significam na pratica essas cinco linhas do ponto de vista pessoal.

É nesse aspecto a palavra que há-de nortear o que seguidamente se escreverá corresponde à palavra sonho.

Essa mesma, aquela que nos transporta para um mundo imaterial em que aquilo que se pensa não tem uma conexão imediata com a realidade, mas onde basicamente tudo será possível.

E, de facto, uma viagem à Índia, com uma passagem pela terra dos Himalaias, o Nepal, permaneceu sempre um objectivo digno dos sonhos, com a esperança que as condições de vida o pudessem num dado momento tornar realidade.

E aqui estou, na expectativa de ouvir a familiar voz que anuncia o início do embarque rumo ao sonho, rodeado de estranhos, expressando-se em diferentes línguas, indiferentes aos demais, sobre os quais me entretenho a imaginar quantos estarão também a cumprir um qualquer sonho.
Para trás ficam os avisos, os conselhos sobre a comida indiana, a higiene local, o trânsito, tudo aquilo que no fundo e no mundo dos sonhos pode tornar-se rapidamente num pesadelo, essa outra forma que o cérebro humano "arranjou" para nos entreter as noites.

Para a frente fica o cumprimento do sonho, perceber na realidade o que nos transmite uma cultura tão diferente é tão distante de tudo aquilo a que estamos habituados, os sons, os cheiros, as gentes.

Perceber que uma viagem é mais do que uma passagem entre dois locais, mas será (ou deverá ser) uma fonte de riqueza imaterial que está para além do custo material da mesma, ainda que este factor esteja longe de ser despiciente, como é evidente.

No dia seguinte, o dia que oficialmente será "baptizado" de dia 1, começará a aventura, e como tal será descrita a cada novo dia.