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domingo, 2 de junho de 2013

Olhar em frente (2ª Parte)


O segundo “exercício” de futurologia a que me propus inicialmente, é o de antecipar aquilo que serão as próximas eleições presidenciais, previstas para 2016, que ditarão o final do segundo mandato daquele que, de acordo com uma opinião pessoal que não é sequer de agora, terá sido o Presidente da República que pior exerceu as suas funções após o 25 de Abril de 1974.

Os motivos para esta opinião não cabem, contudo, no contexto da presente dissertação a qual pretende, antes de mais, perspectivar os cenários futuros no que toca a possíveis candidatos ao Palácio de Belém.

Devo dizer que, quer à esquerda quer à direita, admito que o que se avizinha é motivo sério de preocupação.

Do lado dos partidos mais à direita aquele que provavelmente poderia constituir uma opção de natureza mais consensual seria a do Dr. Mota Amaral, cujas características permitem – em abstracto – um enquadramento favorável com a função presidencial.

Contudo, a sua avançada idade à data das próximas eleições (73 anos) será provavelmente impeditiva de uma vontade pessoal em concorrer ao cargo.

Assim, “resta” direcionar o foco mediático para dois dos mais prováveis candidatos, sendo que a hipótese de ambos assumirem tal “desígnio” em simultâneo é, manifestamente, improvável.

Falo, em concreto, do Dr. Durão Barroso e do “inevitável” Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, embora a minha convicção tenda a recair sobre este último, na medida em que o primeiro estará ainda a trilhar um percurso relevante a nível internacional que, de certa forma, colide que o papel “redutor” de Presidente da República.

Desta forma, o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa terá ocasião de testar a sua popularidade mediática que ao longo dos anos tem “disfarçado” de forma bastante evidente a ausência de um verdadeiro currículo político que, em bom rigor, justifique o epiteto de presidenciável.

Do lado da esquerda e descontando os habituais candidatos do Partido Comunista que têm, antes de mais, como objectivo prolongar a mensagem política do próprio partido, o cenário parece ainda mais dificultado, mesmo numa perspectiva de futurologia que assumidamente percorre estas linhas.

Assim e assumindo que o ex-Primeiro-Ministro José Sócrates é, por força das circunstâncias, uma verdadeira “carta fora do baralho”, as principais “apostas” recaem no Dr. António Costa, actual Presidente da Câmara Municipal de Lisboa e no Eng. António Guterres.

Se o primeiro terá, creio, como objectivo mais próximo a liderança do seu próprio partido, caberá ao segundo a maior probabilidade de vir a assumir tal responsabilidade à luz de alguma notoriedade que recolheu no desempenho de cargos de algum relevo na esfera das Nações Unidas o que fará com que alguns dos sectores do eleitorado se possam mesmo “esquecer” da sua infeliz passagem pela liderança do Governo no período de 1995 a 2002.

Sejam estas as opções mais viáveis ou outras que possam constituir-se como propostas alternativas serão, em qualquer dos casos, candidatos que “residem”, de uma forma ou de outra, no sistema político e não da denominada sociedade civil o que, aliado à fragilidade dos respectivos percursos políticos faz antever uma degradação da importância do cargo de Presidente da República que, acredito friamente, será desde logo espelhado na forte abstenção ao acto eleitoral.

Em resumo e não fazendo parte das minhas características uma opção pelo negativismo não posso deixar de confessar que, mesmo numa perspectiva mais optimista, não será necessário um grande exercício de futurologia para afirmar que os próximos cenários eleitorais ao invés de representar uma melhoria qualitativa dos nossos representados parece, cada vez mais, antecipar precisamente o seu contrário. Assim vão as cousas.

domingo, 26 de maio de 2013

Olhar em frente (1ª Parte)


Diz o dicionário que a futurologia é a ciência que estuda o futuro, não numa perspectiva de adivinhação sobre aquilo que irá acontecer para além do tempo presente mas, de forma mais concreta, aquilo que poderá acontecer, tendo por base um conjunto de cenários possíveis, prováveis ou mesmo desejáveis.

Efectuado a respectiva contextualização, torna-se mais do que evidente que as possibilidades desta mesma ciência no domínio da política “beneficiam” de um terreno amplamente fértil, permitindo a todos aqueles que reconheçam a importância desta ciência antecipar uma perspectiva mais ou menos clara das perspectivas políticas de Portugal nos próximos tempos.

Para tal, o exercício de uma construção adequada de princípios de futurologia deverá assentar, antes de mais, em cenários que, embora não garantidas, constituem ainda assim possibilidades reais de verificação, claro está, futura, eliminando dessa forma algumas “artes” que assentam as suas convicções na mera adivinhação ou num tom profético.

Definidos os pressupostos da abordagem que procurarei seguidamente levar a cabo importa situar temporalmente a mesma, colocando-a de forma simultânea em dois momentos distintos, a saber, o futuro do actual Governo e as próximas eleições presidenciais.

Seguindo a ordem atrás definida começarei por referir que de acordo com o meu entendimento o Governo actualmente em funções dificilmente terá condições para cumprir o respectivo mandato até ao final o qual, cronologicamente, deverá (ou deveria) ir novamente a votos no ano de 2015.

As razões para tal convicção e que justificam este exercício de futurologia são diversos mas, fundamentalmente, assentam em 3 motivos principais.

Em primeiro lugar e conforme tive ocasião de aflorar numa anterior dissertação torna-se cada vez mais evidente que existe uma ampla desconformidade entre o programa com este Governo de submeteu ao escrutínio popular e aquele que tem vindo a ser implementado desde a respectiva tomada de posse em 2011.

De facto, é inevitável supor que fossem as actuais medidas de austeridade (e aquelas que estarão para vir) do conhecimento prévio dos eleitores e certamente teria sido outro o resultado do último acto eleitoral, excepto se esses mesmos eleitores, num acto de reconhecido masoquismo, desse o respectivo aval de forma prévia a um cenário que lhes era previsivelmente desfavorável, como aliás se tem vindo a verificar.

O segundo motivo no qual reside a minha convicção prende-se com o pré-anunciado e agora constatado resultado prático das políticas, ditas de austeridade, que têm vindo a ser seguidas e consecutivamente implementadas das quais, mais do que os desejáveis e desejados resultados positivos, resultou uma “espiral recessiva” (usando as próprias palavras do Presidente da República) cuja consequência tem sido o aumento do desemprego, a falência massiva de empresas e um sentimento que tem tanto de psicológico como de real do progressivo empobrecimento das famílias portuguesas pelo aumento sistemático da carga fiscal e da diminuição dos apoios sociais.

A ausência de uma clara perspectiva optimista, mesmo que de médio prazo, e constatação de que o pior ainda estará para vir - a avaliar pelo “famoso” relatório do FMI - e as “sombras” que pairam sobre o real entendimento do Governo sobre a igualmente “famosa” refundação do Estado é, em si mesmo, o sinal claro do progressivo afastamento entre o Executivo e os Cidadãos.

Finalmente, a terceira das principais razões para a possível (ou provável) queda antecipada do Governo resulta dos sinais claros de divergência entre os partidos que forma a Coligação que apenas vão sendo atenuadas pelos evidentes recuos do Dr. Paulo Portas que ainda assim não escondem a progressiva secundarização do seu papel no Governo a que tem vindo a ser sujeito.

Se a esta perspectiva se juntar o equivoco deambular entre um estado de desconforto ou de manifesto apoio que o Presidente da República faz questão de expressar cada vez que “quebra” os seus enigmáticos e prolongados silêncios, facilmente se percebe que a conjuntura institucional é nesta altura uma aliada da insatisfação social, tornando quase inevitável a necessidade de nova legitimação popular pelo voto do actual Governo.

A consequência provável de um novo plebiscito será, provavelmente, a vitória do principal partido da oposição e habitual inquilino (em regime de alternância) do palácio de São Bento.

O que é curioso e ao mesmo tempo dramático é perceber que tal não se verificará por qualquer convicção de que nessa escolha resida uma alteração substancial do modelo de governação do país nem tão pouco uma especial empatia com o respectivo líder, o Dr. António José Seguro, mas sim como uma manifestação de reprovação pela acção do anterior Governo.

O novo Executivo será, quase com toda a certeza, um governo minoritário quer por força dos votos quer por força da mais do que provável impossibilidade prática de formar um governo de coligação, seja com as forças mais à esquerda seja com os partidos mais à direita.

A consequência deste imbróglio será um Governo fraco tal como fracos serão, creio, aqueles que vierem a ser os seus membros, começando desde logo por aquele que é já hoje o presuntivo futuro Primeiro-Ministro.

Continua na próxima semana....