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terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Roteiros - O charme de Cascais

Devolvendo os caminhos destes roteiros a geografias não muito distantes da cidade de Lisboa, pareceria improvável senão mesmo inaceitável não incluir nos mesmos parte daquilo que uma das mais belas vilas de Portugal tem para oferecer, situada no preciso local onde termina a não menos conhecida marginal de Lisboa, esse pedaço de estrada que acompanha o imenso oceano atlântico entre a foz do Tejo e a dita vila, que já se percebeu, dá pelo nome de Cascais.

 

Apreciar aquele imenso mar que banha a vila de Cascais, o seu charme e elegância ou a possibilidade de passear pelas suas ruas seria em si mesmo um convite a um roteiro que poderia dispensar a visita a locais culturais pré-determinados e, diga-se, será precisamente isso que atrai tantos turistas a este local, e nem se diga que será por se tratar de uma zona acessível a todas as carteiras, algo que já nem é novo nem recente, posto que já os nossos reis a frequentavam durante os seus períodos de férias.
 

Mas como estes roteiros não "vivem" sem referências museológicas não fará sentido terminar este dia por aqui, como se aquilo que antes se referiu se bastasse a si mesmo para o objectivo subjacente a estas linhas.

 

Por isso mesmo o roteiro teve início numa curiosidade pessoal, dita desta forma por corresponder a um local pelo qual tantas vezes havia passado, admirado a sua beleza exterior e intrigado pelo seu interior.

 

Refiro-me ao Museu Condes Castro de Guimarães, situado no denominado Quarteirão dos Museus - uma interessante forma de organização cultural bastante comum noutros quadrantes - onde emerge um imponente palácio de cor amarela, ladeado por um riacho e por um bonito jardim onde, aliás, podemos encontrar os túmulos da família que dá o nome ao palácio e que durante anos ali viveu.

 


Importante mesmo era então matar a curiosidade sobre o seu conteúdo e, diga-se, esse mesmo conteúdo é inteiramente merecedor de uma visita.


 


Trata-se de um espaço que é o resultado da vontade dos seus ilustres e abastados donos em dispor de uma coleção de obras de arte que, ainda que não obedecendo a um critério facilmente associado a único período ou estilo é, antes de mais, a expressão de um extremo bom gosto, a que não falta sequer um bonito órgão de igreja cuja instalação "obrigou" à eliminação do primeiro andar da sala de estar, demonstração clara de uma certa ostentação que deveria fazer as delícias de quem visitava, noutros tempos e noutro contexto bem distinto, aquela família.

 


Hoje em dia o espaço é gerido por uma fundação e, ironia do destino, debate-se com alguns problemas financeiros que impedem algumas obras de conservação do espaço, nomeadamente ao nível do telhado.

 

Admito perfeitamente que o facto de para muita gente este espaço ser muito mais associado à curiosidade exterior do próprio palácio sem uma percepção de que o mesmo é visitável acabe por afastar muitos turistas, nacionais ou não o que, a confirmar-se, constitui naturalmente um sério revês à sustentabilidade futura deste belo museu. Espera-se que não.


 


Bem perto deste museu podemos encontrar dois espaços que se encontram de certa forma interligados e que justificam ambos a curiosidade da visita.


 


Refiro-me em primeiro lugar à Casa de Santa Maria, um exemplo da arquitetura do mestre Raúl Lino, autor da mesma, situada na confluência do oceano com o riacho anteriormente referido.

 


Não sendo especialmente rica em decoração - não tem qualquer "recheio" - é particularmente interessante em função dos seus azulejos e pinturas de parede e, sobretudo, no andar superior uns tectos decorados ao estilo de algumas igrejas, com belíssimas pinturas que tornam este espaço numa descoberta que merece ser visitado.


 

Um pouco mais ao lado encontramos o Farol de Santa Maria de onde podemos observar o oceano em todo o seu esplendor e bravura, razão fundamental para existência deste mesmo farol, com a sua ancestral função de alerta das embarcações que ainda hoje por ali navegam, cruzando o mar em direção ao rio Tejo.

 

Não muito distante deste local a proposta deste novo roteiro passa pela visita à denominada "Casa das Histórias", espaço dedicado exclusivamente à artista Paula Rêgo, que desde logo apela aos sentidos por via da forma invulgar da respectiva arquitectura cuja inconvencionalidade acaba por ser coerente com a própria obra desta pintora.


 


Devo, contudo, confessar que o número de obras alí expostas deixa um certo travo de desilusão, por ser manifestamente pouco vasto, tendo em conta o volume da referida obra, algo que creio estar relacionado com a perda de apoios estatais à Fundação que suporta este museu.


 

Ainda assim é possível observar um conjunto de obras - todas elas subordinadas às ditas "histórias" - bastante interessante e sem dúvida representativas da forma peculiar de abordar essas mesmas histórias. 

 

Feitas as visitas programadas e porque o dia era sobretudo reservado a curiosidades assim haveria de acabar ao sabor de um excelente Irish Coffee num bar em plena marina de Cascais, que chama atenção por lembrar outras paragens, nomeadamente os típicos bares ingleses, quer na sua típica apresentação exterior quer sobretudo pelo seu ambiente interior, de seu nome John Bull que, segundo nos informam, faz agora meio século que ali se instalou.


 


Haveremos de voltar a Cascais noutro contexto, mas sempre com o mesmo objectivo, conhecer e dar a conhecer um novo roteiro.


 








quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Roteiros - Setúbal aqui tão perto

Dando cumprimento à promessa de, volta e meia, deixar fugir o roteiro para fora da cidade de Lisboa sem, contudo, tanto dela nos afastarmos ao ponto de "obrigar" a pernoitar em tal local, seguimos agora até Setúbal, terra banhada pelo rio Sado do qual se separa em pleno oceano, tendo a península de Troia de um lado e a serra da Arrábida do outro.

Ora é precisamente em plena serra da Arrábida que se situa um dos locais mais enigmáticos para muita gente tal como o era para mim próprio, por se tratar de um local que quase todos conhecem ao longe a partir do miradouro do qual se vislumbra todo o espaço que a que me refiro, mas que poucos conhecerão por dentro.


Refiro-me ao convento da Arrábida e a razão pela qual este local místico parece inacessível a quem por ali passa reside no facto de se encontrar sempre fechado.


Por isso mesmo o "processo" de visita requere uma preparação prévia que pode revelar-se um pouco surreal.


Oficialmente o convento da Arrábida pertence à fundação Oriente e, à partida, será através do respectivo site que se procede à marcação das visitas guiadas ao local. Contudo, rapidamente se percebe que "não oficialmente" parece haver um outro "dono" do espaço, uma figura de carne e osso, por sinal a única pessoa que há vários anos habita em total isolamento o espaço do convento, como tantos outros, ainda que usando a vestimenta de monges, o fizeram.


A verdade é que parece nada ser possível fazer no que à visita diz respeito sem que tenha de passar pelo referido curioso monge dos tempos modernos, podendo mesmo revelar-se uma experiência desagradável ter de "aturar" os tiques acumulados ao longo dos anos que acentuam a ideia de que o verdadeiro dono é ele próprio é, nessa medida, há que se comportar de acordo com os ditames que o próprio determina no que à visita diz respeito.



Com tal enquadramento o melhor mesmo é arranjar um grupo considerável de amigos ou familiares
que nos acompanhem aproveitando dessa forma a "benesse" de, durante uma hora e pouco, termos a possibilidade de aceder ao espaço do convento.

A verdade é que vale bem a pena fazê-lo e sempre fica qualquer coisa para contar mais tarde.


Desde logo o enquadramento sobre o mar é absolutamente deslumbrante acrescendo a este facto uma percepção sobre as condições de vida de quem ali "habitou" em tempos idos, destacando-se em particular a capela mas, sobretudo uma enigmática estátua em posição de cruz de São Francisco, repleta de simbologia própria desta ordem religiosa.

O resto é fundamentalmente composto pelos espaços de reclusão dos monges por entre uma labiríntica escadaria, destacando-se a cor branca das paredes, aquela que mais se destaca a quem de longe aprecia a vista sobre o conjunto arquitetónico do convento.

Terminada a visita a este belíssimo espaço é tempo de rumar à cidade através das serpenteantes estradas da serra da Arrábida, sempre ladeadas pela luxuriante vegetação típica da região e por outro pela profundas encostas que invariavelmente terminam em belas praias que banham a serra ou sobre um mar que, visto dali, parece ser infinito.

É aí, na cidade, que vamos encontrar outros dois locais cuja visita será obrigatória ou, pelo menos, recomendável.

O primeiro desses locais corresponde ao Museu do Trabalho Michel Giacometti, um daqueles estrangeiros a quem Portugal muito deve, ainda que essa consciência seja hoje bem mais real do que durante a vida desta personagem que se apaixonou por este país ao ponto de ter dedicado boa parte da sua vida à pesquisa etnográfica de gentes, tradições, profissões e, com especial relevo, uma recolha sonora dos sons desta terra, património imaterial de Portugal, cuja reprodução nos dias de hoje é praticamente impossível por ter deixado de ser herdada entre as sucessivas gerações, razão pela qual ouvir entoar certos cantares equivale quase a ver imagens passadas de um qualquer animal extinto.


Por isso mesmo este interessante museu herdou o nome de Michel Giacometti, e nele é possível encontrar referências às raízes piscatórias e da industria do peixe de Setúbal, mas igualmente ao comércio local, com representações de lojas, artes e ofícios locais.

Este é um local especialmente focado no ensino de diversas artes e ofícios desaparecidos (ou a caminho de tal....)  e, por isso mesmo, é não raras vezes visitado por escolas da região.

E se este roteiro começou por um convento assim há-de terminar noutro, de características e traços bem distintos e sem necessidade de marcação prévia ou de nos submeter ao Ius Imperium do seu improvável "guardador".

Este convento, de Jesus de seu nome é, em bom rigor, um duplo local de visita, por se tratar simultaneamente de uma igreja que, claro está, "responde" pelo mesmo nome.

Sempre me habituei a passar por este local e tristemente constatar que quase sempre se encontrava encerrado, situação a que não seria indiferente o estado de conservação exterior que se presume fosse replicado para o interior.

E era de facto uma pena porque a traça arquitetónica vincadamente Manuelina traz-nos à imagem qualquer coisa que é possível vislumbrar noutros locais de relevância histórica incontornável, desde logo a Torre de Belém ou o Mosteiro dos Jerónimos, ou ainda o convento de Cristo em Tomar e o Mosteiro da Batalha, ainda que com uma dimensão consideravelmente mais modesta.

Aberta a porta anteriormente franqueada e recuperado o seu esplendor a Igreja e Convento de Jesus em Setúbal são dois espaços imperdíveis, sendo que a parte do convento encerra um núcleo museológico bastante interessante, incluindo peças que existiam na Igreja e convento original, embora se note que ainda exista no seu interior uma vasta área para "explorar", isto é, sem qualquer uso ou finalidade percetível.


Roteiro sem gastronomia não é roteiro, algo que não se apresenta como tarefa fácil em Setúbal tão grande é a variedade e a qualidade da oferta.


Mas como a vida é feita quase sempre de escolhas então que assim se conserve e, por isso mesmo, se a escolha for pelo peixe fresco então o pequeno restaurante O Batareo, situado na entrada sul da cidade é a escolha ideal, se a opção recair pelo prato "tradicional" de Setúbal, o famoso choco frito, então no extremo oposto, mesmo à entrada da serra da Arrábida, podemos encontrar e escolher sem receios o restaurante Leo do Petisco, se bem que a probabilidade de existirem longas filas de espera seja altamente provável se a hora do repasto coincidir com aquela que habitualmente o comum dos mortais entendeu designar de "hora de almoço" ou "hora de jantar".


A qualidade da opção justifica, ainda assim, a espera.


Os roteiros hão-de continuar em 2017.

domingo, 20 de novembro de 2016

Roteiros - A Madragoa e os seus museus

Desenhar um novo roteiro é um exercício que não requer qualquer esforço físico mas tão-somente o gosto de definir para nós próprios um objectivo que se prende única e exclusivamente com o gosto de conhecer novas coisas mas, porventura ainda mais, o interesse em procurar (para não dizer encontrar) as referências culturais que se enquadrem no contexto de cada roteiro.

Por isso mesmo, o maior prazer reside precisamente em perceber por essa via que bem perto dos locais onde habitualmente passamos de forma apressada podemos encontrar verdadeiros "tesouros" de interesse cultural, mas igualmente gastronómicos, talvez porque habitualmente não façam eles próprios parte dos roteiros oficiais, aqueles a que o turista "tradicional" visita, como se nada mais houvesse para conhecer.

Não pretendo, contudo, afirmar que sejam locais desconhecidos. Apenas que merecem a pena ser verdadeiramente conhecidos.

Mais interessante ainda será o facto de, não raras vezes, tais locais encontram-se localizados nos denominados bairros típicos de Lisboa, que por si só merecem - e porventura hão-de mesmo merecer - que se lhes dedique um roteiro.

Tal é caso do Bairro da Madragoa onde, entre outros exemplos relevantes de locais culturalmente relevantes, se encontram localizados o Museu da Água e o Museu das Marionetas.

O primeiro que é referido, o Museu da Água, é parte integrante de uma rede mais vasta de locais relacionados com a água em Lisboa, dos quais se haverá de referir noutros roteiros, e que impressiona pela quantidade de máquinas de dimensões consideráveis que nos remetem para a forma como a água chegava (e era contada) à casa dos lisboetas, mas também a sua relação com o aqueduto das águas livres, essa imensa "auto-estrada" de canais de pedra que dava de beber à capital.

Tratando-se de um espaço um pouco à margem da cidade, é possível efectuar uma visita de forma absolutamente tranquila, sem qualquer risco de "tropeçar" num esquadrão de turistas.

É um local que funde a vertente cultural com a lógica educacional, com vários postos interactivos para as crianças (e não só) poderem dar azo à vontade de perceber um pouco melhor a mecânica da água.

Um pouco mais em frente, já bem no centro da Madragoa, situado no Convento das Bernardas encontramos o Museu da Marioneta.

Confesso que "esperava" relativamente pouco deste espaço, porventura mais por preconceito sobre a relevância cultural de algo que, afinal de contas, é representado por bonecos mas, mais uma vez, ficou provado que preconceito e ignorância são "marido e mulher" no que toca a julgamentos precipitados e, por isso mesmo, não hesito em afirmar que se trata de um dos melhores museus da cidade de Lisboa.

Muito mais do que os tais bonecos é um local de história com centenas de anos em que, à falta de qualquer outra forma de registo, a representação era feita com recurso às mais variadas formas de imagens em forma de marioneta e que não se esgotam, bem pelo contrário, a uma perspectiva infantil dessa mesma representação, remetendo para a simbologia e rituais religiosos, o medo, a comédia, a sexualidade, etc.

Tudo isto representado por um acervo de uma riqueza que não se antecipa à entrada, com elementos de todos os "cantos do Mundo".

O contexto envolvente do Convento das Bernardas acaba por ficar um pouco desfavorecido por não ser absolutamente evidente nem tão-pouco haver uma forma de "convite" a percepcionar esse espaço, algo que poderia, porventura, ser optimizado.

Não fazendo parte do roteiro, por não se tratar de um espaço aberto ao público, mas por situar naquela mesma zona entendo ser oportuno referir-me ao edifício onde actualmente se encontra instalada a Embaixada de França, o Palácio de Santos-o-Velho, uma preciosidade que pude visitar no contexto do "Lisbon Open House", oportunidade única para visitar alguns espaços - como este - que "carregam" nas paredes e interiores partes relevantes da história de Portugal.

Entre as muitas riquezas existentes no seu interior, saliento o icónico tecto em forma de cone, decorado com peças de loiça que já ali se encontravam antes do terramoto de 1755 e que, quis o destino, assim se conservassem imaculadas, apesar de tudo ruir à sua volta.

Para se jantar (ou almoçar) não é preciso sair da Madragoa, tão repleta é a oferta de restaurante típicos localizados naquela zona.

A escolha recaiu no pequeno, castiço mas verdadeiramente bom restaurante a "Varina da Madragoa" onde temos tudo aquilo a que temos "direito" num local como estes: a simpatia do dono, a evidente empatia com os clientes, as referências à antiguidade do espaço na decoração, nos azulejos na parede, mas também nos velhos recortes de jornais que nos lembram que por ali passaram José Saramago, entre outros.

A ementa é variada, mas o bacalhau é rei.

Para finalizar o dia e andando apenas alguns metros encontramos o bar "Matiz Pombalina" um pequeno e intimo espaço ideal para conversar com uma decoração sóbria e, claro está, os arcos em tijolo que remetem para a antiguidade mal disfarçada do espaço.

Só podemos estar gratos por podermos usufruir de locais como estes, assim os queiramos descobrir e conhecer.







sábado, 29 de outubro de 2016

Roteiros - Alfama é tudo isto

O roteiro de hoje levar-nos-á a uma das mais tradicionais zonas de Lisboa onde é possível "desenhar" um percurso que em si mesmo justificaria a vinda a este local sem necessidade sequer de referir pontos culturalmente relevantes, sendo bastante para o efeito passear pelas pitorescas e ruas cheias de vida do bairro de Alfama.



Apesar de nem sempre bem conservadas e particularmente nalguns locais as casas apresentarem sinais de algo que alguns consideram com "arte urbana" e que outros tendencialmente postulam de "vandalismo" a verdade é que dificilmente a pintura original deste local teria vestígios dos denominados grafitis, pelo que cada um os catalogue como quiser sendo que, pessoalmente, prefiro a cor branca, não fosse esta cidade de Lisboa também ela a cidade branca.

Mas como o objetivo destes roteiros é, antes de mais, proporcionar sugestões culturais e, já se percebeu, gastronómicas, a quem simultaneamente dedique um pouco do seu tempo à leitura dos mesmos e, mais ainda, tenha gosto por conhecê-los, então não há como fugir ao assunto e, sem demoras, passar ao que verdadeiramente importa.


Por isso mesmo o roteiro tem o seu início nas Portas do Sol, local onde aliás se pode desfrutar de uma das mais belas vistas sobre o Tejo que a cidade de Lisboa tem para oferecer, em cujo largo se situa um palácio do século XVIII, o palácio Azurara, onde se encontra instalado o Museus das Artes Decorativas.


O interessante deste museu é que reúne um riquíssimo acervo pertencente à coleção Ricardo Espírito Santo Silva mas igualmente o facto de que esse mesmo acervo é o resultado do trabalho de recuperação e restauro levado a cabo pela escola com o nome do seu fundador e que tem deixado a sua marca de qualidade em muitos outros locais pela cidade.


Há, contudo, sinais de preocupação com este espaço e esta coleção em virtude dos problemas financeiros, cuja natureza não cabem nestes roteiros, que envolvem o Grupo BES/Novo Banco, havendo o risco de, num futuro próximo, a riqueza que agora é pública se tornar objecto de usufruto privado em virtude da alienação da colecção para saldar outras dívidas.

Admito, portanto, que este espaço também possa constituir uma forma de alerta para, por via da divulgação, impedir que este excelente museu deixe a médio prazo de o ser, impedindo não apenas a possibilidade de o visitarmos mas igualmente a continuidade de uma actividade de mérito inquestionável que cabe à escola de restauro.

Um pouco mais "abaixo" junto à estação de Santa Apolónia encontramos o Museu do Exército, um local relativamente datado, entenda-se no qual se percebe não são feitos investimentos de modernização há bastante tempo, mas que acaba por ter nesse aspecto talvez o seu maior charme.

Ou seja, o facto de parecer aos olhos do visitante como que se tivesse parado no tempo é o aditivo necessário para imaginar que tudo aquilo que podemos encontrar no seu interior e que, no essencial - e não é pouco - percorre a história militar portuguesa e, em particular, a participação do CEP na 1ª guerra mundial, se encerra temporalmente naquele espaço, incluindo o próprio edifício, o que em bom rigor até fará sentido, tendo em conta que a partir de 1918 praticamente deixou de haver história militar em Portugal.

Entre todo o seu espólio é, no entanto, nas suas paredes que fica inscrita aquela que para mim constitui a maior riqueza deste museu e em particular as gigantescas pinturas do mestre Sousa Lopes, o artista que retratou a participação portuguesa na 1ª guerra mundial e que, além do mais, tem uma ligação familiar a um conterrâneo do meu pai e a alguém (já falecido) que compunha o "quadro" de pessoas que preenchiam os dias passados em casa dos avós durante as longas férias de Verão.


É um pouco isto que este museu nos traz, isto é, memórias de um passado que já não volta, do qual resta apenas aquilo que o tempo se encarregou de conservar.

Se o roteiro começou em Alfama então em Alfama há-de acabar.

E por isso mesmo o local ideal para que isso aconteça é no restaurante "A Baiuca".

Nota prévia, convém marcar lugar.


E porquê? Haverá então que ler o que se seguirá.


Este típico restaurante de fados em Alfama terá cerca de 5 ou 6 mesas, que não levam mais do que 8 pessoas e é aqui que começa a diversão.


Normalmente é um pressuposto em qualquer restaurante que não tenhamos de partilhar essa mesa com alguém que nem remotamente conhecemos. Aqui não, chegamos e sentamo-nos onde houver lugar. O resto é o que as pessoas (quase todos estrangeiros) à mesa quiserem que seja, isto é, quase sempre acabam a noite a falar uns com os outros como se fossem amigos de longa data.


Mas o próprio conceito de "acabar a noite" não tem o mesmo significado que terá noutros contextos.

Dificilmente será possível encontrar outro local onde seja possível estar sentado à mesa a partir das 20h e só sair quando se quiser, porque ninguém nos dirá em algum momento que o nosso tempo acabou e há mais pessoas à espera.


Não. Os donos fazem questão de não "despachar" ninguém, porque toda a refeição acaba por se prolongar por várias horas.


Repete-se então a pergunta. E porquê?


Porque, diz a tradição, que enquanto se canta o fado se faça silêncio.


Ora como quase toda a noite o restaurante é visitado por diferentes fadistas que, num tom verdadeiramente popular, entoam versos com mais ou menos desafinação acompanhados à guitarra num dos cantos deste pequeno espaço, difícil mesmo é estar simultaneamente a servir refeições e a ouvir fado ao mesmo tempo.


Em boa verdade é até necessário esperar algum tempo pela primeira pausa - que não se sabe ao certo quando virá - para que comecem a circular os pratos pedidos à chegada.


De resto não há ninguém que não cante, entre convidados, o dono (que abre as "hostilidades"), a esposa, a cozinheira, algumas figuras tão patuscas que entre "atuações" esperam novamente a sua vez à porta com um cigarro numa mão e um copo de vinho na outra.


No final a conta não é pequena nem excessivamente grande, mas como nos dizia a dona/fadista, ao despedir-se de nós com direito a dois beijinhos, "eu não digo a ninguém para sair, por isso tenho os mesmos Clientes toda a noite". Nem mais.


Quando ouvirem dizer "Alfama é tudo isto". Acreditem que é verdade.











sábado, 8 de outubro de 2016

Índia - Dia 7 (Khajuraho e Varanasi)

Talvez devesse começar o registo de hoje alertando para o facto de que aquilo que se seguirá, seja na forma escrita ou sobretudo graficamente através das fotografias que habitualmente selecciono para ilustrar os locais descritos no texto, deveria ser não aconselhável a menores de 18 anos.

Depois de visitar Khajuraho admito que uma tal restrição constituiria uma desnecessária catalogação de um local que é tudo menos pornográfico ou simplesmente imoral.

Haverá, no fundo, sempre que lembrar que ao visitar a Índia temos de nos despir de preconceitos e assumir com naturalidade a realidade com que este povo há centenas de anos encara determinadas questões que para um ocidental têm uma contextualização totalmente distinta.

Assim, descrever Khajuraho, uma muito pequena cidade de apenas 14800 habitantes - sim, apenas 14800 habitantes - sem indústria, isto é, com níveis de poluição e de ruído consideravelmente mais baixos do que a generalidade das cidades na Índia, que se dedica em exclusivo à agricultura e ao turismo, pode ser feita de duas maneiras.

A primeira é descrevê-la como a cidade do famoso livro do Kama Sutra, porventura a referência máxima do erotismo, e que muitos já terão desfolhado para "deitar um olho" às ilustrações, comparativamente com aqueles que, certamente em menor número, o terão lido e ainda menos os que terão interiorizado devidamente o seu sentido.

Kama Sutra significa "técnica (Sutra) do amor (Kama)" e representa um tratado sensorial que está muito para além de qualquer fetichismo que se lhe possa associar, focando-se sobretudo no espírito como forma de atingir o prazer físico.

Ou seja, as muitas imagens eróticas que aparecem de forma absolutamente natural nos muitos templos representam, antes de mais, um manual do amor e de exaltação da vida e da criação, tendo como modelos o Deus Xiva e a sua mulher Parvati.

A segunda forma de descrever Khajuraho é referindo que se trata de um vasto conjunto de templos quase inteiramente construídos entre o século X e o século XI, sendo a maior parte em homenagem a deuses hindus e, em menor número, ao budismo.

Estes monumentos tiveram a sorte, aliás, de ter escapado às invasões muçulmanas, embora se notem alguns vestígios dessa presença, nomeadamente na eliminação da representação figurativa ou, dito de outra forma, sem as respectivas cabeças e rostos.

Creio, portanto, ser essa a forma correcta que interpretar a monumentalidade dos templos de Khajuraho, isto é, mais um exemplo acabado de uma riqueza cultural absolutamente ímpar, que a Unesco elevou a património da Humanidade, o que só por si faz perceber que este local está longe de corresponder a uma qualquer forma de exaltação da imoralidade.

Acresce que a verdadeira exaltação é a da figura da Mulher, em toda a sua beleza, representada por ninfas celestiais, de corpo escultural, exibindo uma feminilidade e uma perfeição que não é facilmente associada a uma tal antiguidade, com representações de adereços que poderiam bem ser absolutamente actuais.

É extraordinária esta forma de encarar a sexualidade e o erotismo porquanto a imagem que facilmente se retém dos indianos está longe de remeter para manifestações públicas de intimidade sendo visível,  a espaços, casais de namorados em romântica cavaqueira, mas nunca (que eu tenha visto) alguma outra forma de proximidade, ainda que neste caso me esteja a referir unicamente a um simples beijo.

A explosão demográfica na Índia será, pelo menos, um sinal indicativo que as relações entre os casais não se ficam unicamente pelas palavras, mas também me permito duvidar que estejam nos antípodas dos ensinamentos do Kama Sutra.

Terminada a visita a Khajuraho é templo de rumar à terra santa de Varanasi e, nessa ocasião, falar-se-á de religião.

O transporte para Varanasi é feito de avião, numa viagem que demora cerca de 35 minutos, poupando, pelo menos por agora, o corpo a algumas horas de carro. O corpo...e o espírito.







sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Índia - Dia 6 (Orchha e Khajuraho)

Agra e os seus esplendorosos monumentos ficam para trás.

É tempo de rumar a Orchha e para isso tomamos o comboio que parte às 08:02 horas com uma pontualidade própria de uma Suíça mas a que dificilmente se associa a Índia.

A viagem não é longa, embora a chegada nada tenha tido de Suíça, pois contava um atraso de 43 minutos. Não que o comboio pare em muitas estações, até porque corresponderá mais ou menos ao "nosso" Alfa Pendular, mas porque na Índia circulam muitos comboios, a todo o momento, cada um com mais de 15 carruagens para passageiros, para além de enormes comboios de carga.

Não sendo uma viagem "em executiva" a comodidade é boa e justifica a opção.

Sobre este tema da comodidade talvez se justifiquem algumas notas.

Um dos temas "quentes" de que pretende viajar ou comenta as viagens à Índia passa pela qualidade dos hotéis, referindo-se quase sempre que a opção deve recair em hotéis de 5 estrelas.

Ora bem, o problema começa aqui. Tanto quanto me apercebo na Índia não há sequer a habitual classificação estrelar, por isso a categoria do hotel é feita de duas formas: toma-se-lhe a "pinta" por fora - e isso, acreditem, é muito fácil fazer - e arriscar num hotel de categoria equivalente a um 4 estrelas.

Sucede que o que se verifica é que o risco é praticamente nulo. Os hotéis neste patamar são genericamente bons quando não mesmo bastante bons e, por isso mesmo, tenho sérias dúvidas que o custo adicional de um categoria superior justifique em termos de qualidade essa opção.

Por outro lado e como sempre refiro, para mim hotel passa por ser apenas e só o local onde passo umas horas - e, no caso, até são bem poucas - para tomar banho e dormir, por isso apenas exijo duas características: que seja asseado e que tenha wc privativo.

Nos dias que correm faz sentido uma terceira quase exigência - doutro modo como poderia escrever estes registos diários - de poder ter Wi-Fi, essa invenção que normalmente se pede num restaurante mesmo antes da ementa.

Por aqui o Wi-Fi raramente é gratuito, e quase sempre limitado a uma hora de utilização. Tem chegado para as necessidades.

Dizia, portanto, que comboio nos trouxera ate Orchha, uma pequena cidade, curiosamente pouco frequentada por turistas, o que dificilmente se percebe, perante a beleza dos seus monumentos, em particular o palácio Jahangiri Mahal que reúne, como tantas vezes se tem visto, as influências muçulmanas e hindus, onde é possível entre outras coisas, fotografar de bastante perto (convém talvez não ser muito perto) os muitos macacos capuchinhos que por ali andam, numa atitude de complacência de quem parece desfrutar do palácio em si mesmo mas também da vista magnífica sobre os 27 vestígios arqueológicos do local, incluindo mais dois palácios e dois templos.

Bem ali perto encontra-se o Templo Chaturbhuj, outro exemplo da imponência dos templos, este dedicado a Vixnu, situando-se nas margens do rio Betwa onde é possível (e deve-se) visitar os 14 belos cenotáfios.

Orchha constituiu, portanto, mais um admirável exemplo que de melhor a Índia tem para oferecer.

Depois de almoço seguiram-se quase quatro horas de carro até Khajuraho, o tempo que leva para percorrer uma distância de aproximadamente 200 kms.

E porquê tanto tempo para uma tão relativamente curta distância?

Talvez fosse tema para a série de livros "Uma Aventura"...

Passo a (tentar) explicar.

A estrada para Khajuraho tem duas faixas de rodagem, uma para cada lado, nas quais não se pode circular a mais de 80 kms/hora, velocidade esta que creio nunca é atingida, simplesmente porque...é impossível.

Junte-se uma estrada que em quase todo o seu percurso se encontra em mau estado, a cada 100 metros uma junta de búfalos, um rebanho de cabras e, claro está, milhares de vacas invadem e se deitam na estrada, como que dizendo "eu sou sagrada, arranja maneira de dar a volta sem me tocares" e um incontável número pessoas que atravessam a estrada como se não houvesse amanhã.

Mas não é tudo. 

Apesar das duas faixas de rodagem (uma para cada lado), todas a viaturas circulam apenas numa: a do meio. Presumo que tal se deve ao facto da estrada estar menos má nesse local ou como forma de evitar pessoas, motorizadas e animais que quase sempre circulam mais à esquerda ou direita, consoante a direção (embora esteja longe de ser uma "ciência exacta" por aqui).

O efeito é engraçado (embora não pareça) e é mais ou menos este: imagine-se andar nos carrinhos de choque nas feiras mas em que no último instante cada carrinho muda de direcção e por isso nuca colidem. É isto que se passa na estrada de Khajuraho. 

Não termina, contudo, aqui a dita "aventura". Como já é de noite, apita-se menos, então conduz-se com os máximos acesos....toda a gente.

Antes que perguntem, estamos bem, obrigado. Isto é a Índia.

Amanhã o dia reserva uma visita a um local que tem direito a bolinha vermelha no canto.


terça-feira, 4 de outubro de 2016

Índia - Dia 3 (Jaipur)

O terceiro dia de visita trouxe a possibilidade de passear pelas principais referências históricas, culturais e, por inerência, também turística, da cidade de Jaipur.
Esta cidade de 6,8 milhões de habitantes tem com referência a segunda maior montanha da Índia (embora de incomparável dimensão com a mais famosa de todas, os Himalaias), na qual imperam três fortificações interligadas por 12 kms de muralhas, impecavelmente conservadas, que ainda hoje parecem tão impenetráveis como o eram no tempo das invasões mongóis.

Uma dessas fortificações e a principal atracção turística de Jaipur corresponde ao Amber Fort, cuja imponência "esmaga" os nossos sentidos, sendo impossível uma sensação de comparação com o mosteiro de Potala no Tibete pela forma como se ergue pela montanha como se dela fizesse parte.

O Amber Fort fica situado num dos extremos da cidade, dentro de uma cidadela cujos edifícios originais incluindo as fundações do próprio Forte remontam ao século XI.

Supostamente o acesso ao seu interior deveria ter ocorrido montado na garupa de um elefante facto que se verificou ser impossível por coincidir com as festividades locais, altura que os passeios de paquiderme são suspensos, não sem alguma desilusão pessoal pelo facto.

No interior do Amber Fort, embora despido de conteúdo, reina a riqueza dos mármores, dos frescos nas paredes, o rendilhado esculpido na pedra e até, pasme-se, uma sala decorada com espelhos abaulados especialmente vindos do país na Europa que hoje em dia se chama de Bélgica, algo surpreendente se pensarmos que a encomenda foi feita no século XV...

Neste palácio de Reis e marajás viviam para além do soberano, as suas muitas mulheres e ainda mais concubinas, e tudo está desenhado para albergar os quartos das ditas senhoras, respeitando exemplarmente o recato/reclusão que lhes era imposto e o local de trabalho do próprio soberano.

Os homens, esses, ficavam à porta da fortaleza, posto que o seu interior apenas poderiam circular aqueles a quem o destino retirou a masculinidade, essas quase curiosidades humanas, denominadas de eunucos.

A vista das muralhas do Forte é o que se espera e se antecipa, chega até onde a vista alcança.

Como em quase tudo na Índia também este Forte está dedicado a uma divindade, Shila Devi, existindo no seu interior um templo ao qual apenas se pode aceder descalço e sem qualquer objecto de cabedal.

O que se passa "lá dentro" corresponde aqueles momentos que se tornam difíceis de expressar por palavras, quanto mais por escrita.

O som de um tambor que não se percebe de onde emerge, mas que garantidamente não emana de uma gravação, vai subindo de intensidade acompanhando uma desenfreada é absolutamente caótica marca de devoção, com oferendas à divindade, flores que são atiradas pelo ar, em direcção a estátua que se ergue por detrás de um pano bordeaux, que rapidamente se fecha.

Os visitantes, crentes ou não, são presenteados com uma marca de tinta vermelha no meio da testa, representando a terceira visão, conferindo boa sorte ao seu portador, e com uma espécie de bolo de açúcar com leite que lembra muito curiosamente o doce de leite. Saboroso, portanto.

Infelizmente não é possível fotografar no seu interior, mas de pouco serviria porque não poderia nunca passar as sensações que se desfrutam no seu interior.

É hora de seguir caminho e sair do Forte e da cidadela o local onde, diga-se, se avistam mais turistas.

Sobre este aspecto importa referir que a sensação que se tem em certos momentos na Índia é de que seremos nós próprios os únicos turistas ali presentes.

Nada mais falso. A questão é que o intenso calor, a anarquia do tráfego mas igualmente uma percepção de insegurança (falsa, na realidade) afasta os turistas dos habituais passeios a pé pela cidade, refugiando-se atrás de milhentas viaturas de turismo e dos respectivos guias.

Contudo, pessoalmente, a vida de uma qualquer cidade não se resume às suas atracções turísticas, dela fazendo parte integrante as pessoas que nela vivem o que, no caso da Índia, é impossível ignorar, tal é o movimento frenético em cada esquina, nas incontáveis pequenas lojas, no comércio que pode ir de um barbeiro de rua até grandes lojas de joalharia e tapeçaria.

Por isso não poderia, em consciência, deixar de circular ao ritmo da própria passada pelas ruas estreitas, apinhadas de gente (e bastante lixo, já terei feito perceber....), e sentir tudo isto, os sons, os cheiros, a música - e, acreditam, os indianos gostam muito de cantar - ou seja tudo aquilo que não estará normalmente num roteiro turístico.

Diga-se, no entanto, que esta "ousadia" está longe se ser tarefa fácil, sobretudo se duas ou três crianças decidirem "juntar-se" a uma comitiva para a qual não foram convidadas, "reclamando" uma boa acção no valor de 10 rupias (menos de 15 cêntimos....), rapidamente se percebendo que a nossa boa-vontade teve um efeito multiplicador do número de potências beneficiários da nossa caridade.

Não se pense, contudo, que as referências turísticas de esgotam nas fortificações nas montanhas de Jaipur.

Destacam-se ainda o belíssimo palácio Jal Mahal que emerge das águas do lago artificial onde se encontra estacionado quase no centro e que mesmo não sendo visitável (só o seria por barco) é uma vista incontornável da cidade.

Num outro local da cidade ficam situados duas outras referências de Jaipur, o palácio da cidade, local imponente, a residência dos Reis de Jaipur, incluindo o actual (a Índia sendo uma república constitucional tem, apesar disso, um rei, ainda que totalmente despojado de poderes), albergando igualmente o museu da cidade, que mesmo não correspondendo exemplarmente à noção que vulgarmente temos de museu (uma vez mais há que adaptar os conceitos ao local) permite ter uma percepção sobre as roupas usadas pelo marajá Sawai Man Singh II, fundador de Jaipur, no século XVII.

Por fim destaque para um local denominado Jantar Mantar, que longe de designar um sítio onde se possa fazer a última refeição do dia, corresponde antes de mais a um espaço onde se encontra, situado um observatório astronómico, onde tudo o que tenha qualquer relação com a astrologia, astronomia e, claro está, a determinação das horas se encontra representado em volumosas peças de arquitectura que impressiona tanto pela precisão dos seus instrumentos como pela sensação de modernidade de uma construção que, afinal de contas, foi edificada no século XVIII.

Neste roteiro seguir-se-à a cidade de Agra, e ainda que apenas reservado para o dia 5, Agra, mesmo não parecendo, rima com Taj Mahal.