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domingo, 24 de junho de 2018

As origens do totalitarismo (revisitado)

"Poder e violência são opostos; onde um domina absolutamente, o outro está ausente.” (Hannah Arendt)

Um dia alguém me perguntou porque é que nunca escrevia sobre futebol. Respondi quase de imediato que "não me interessava" e que havendo tantos a fazê-lo que mais-valia poderia trazer qualquer coisa escrita por mim sobre que tema fosse.

Desengane-se, contudo, quem achar que a "promessa" estará na prestes da ser quebrada posto que continua a ser um tema cuja margem de dissertação é tão manifestamente desinteressante que, em si mesmo, não vale o esforço de tentar ser inovador sobre o mesmo.

Mas tal não impede que de alguma forma um tema tão recente que ainda não se sabe o tempo que durará, tendo por protagonista principal o presidente de um grande clube de futebol, permita uma divagação sobre a natureza do populismo e demagogia, base comum das raízes do poder absoluto que ao invés de nascer do nada, vai crescendo aos olhos de quem o semeou - os cidadãos - e que num dado momento se descontrola, tornando-se numa forma autoritária de governo que prescinde desses mesmos cidadãos ainda que fazendo crer que os representa a todo o momento.

A receita parece simples de tantas vezes "cozinhada" e assenta em pressupostos comuns que tantas vezes, como agora, nos obrigam a um esforço intelectual para compreender o incompreensível.

1. Os fundamentos

A base do populismo e a demagogia assentam na esmagadora maioria das vezes em contextos sociais e políticos de grande complexidade em que uma larga maioria da população sofre ou vem sofrendo de uma qualquer foram de constrangimento das suas liberdades e direitos, não por via da existência de uma ditadura no sentido mais comum de algo imposto por um ditador, mas sim formas distintas como de liberdade económica e perda de direitos. O desemprego ou a redução de salários ou o aumento do custo de vida são os exemplos mais comuns, mas para que faça sentido a "ponte" com o universo futebolístico o acumular de frustrações em anos sucessivos normalmente associado a um muito fraco desempenho económico do qual resulta uma quase recorrente deriva para o abismo das respetivas contas que só um estado de permanente exceção impede de transformar em falência ou insolvência.

2. A necessidade de culpados: O inimigo comum

Conhecidos os fundamentos o passo seguinte é a definição de um "inimigo" óbvio, aquele a quem não custa apontar o dedo pelos males que, contrariamente ao ditado popular, sempre duram e tendem a perpetuar-se se nada for feito em sentido contrário. A lógica passa a ser o do "contra tudo e contra todos", seja o inimigo externo seja o interno. O culpado versus as vítimas, contra o qual é preciso combater com uma rotura face ao passado, sem que nunca se explique o verdadeiro custo dessa rotura. Não interessa. Sabemos quem são, sabemos ao que nos conduziram, importa assegurar o seu afastamento para sempre. A manipulação atinge o seu auge.

3. A consulta popular 

Uma das maiores falácias dos tempos modernos, é a noção de que grande parte dos regimes ditatoriais foi inicialmente legitimada pelo voto. Esta aparente contradição serviu e ainda serve como presuntiva justificação para o que se seguiu ao escrutínio popular, ignorando que o voto em si mesmo não é em si mesmo a fator de legitimação do que quer que seja, mas a antes a liberdade de voto. De nada serve do ponto de vista democrático uma consulta popular em que a oposição foi totalmente afastada ou aparece como meramente simbólica, senão mesmo "autorizada", para alimentar a farsa que foi sendo construída, qual ilusão de pluralidade.

4. O poder absoluto: Fase 1

Ganho o poder nas urnas os primeiros tempos de governação aparentam quase sempre uma imagem de mudança que a todos parece agradar, com manifestações de políticas a favor do "bem-comum" normalmente associados a alguns resultados imediatos que, em bom rigor, ninguém poderá dizer que são consequência natural da mudança ou algo que provavelmente aconteceria em qualquer dos cenários. Não importa. As pessoas estão agora convencidas que a mudança resultou e há-de continuar a resultar, ignorando que estes primeiros tempos são aqueles em que o novo poder vai tomando conta das instituições, algo que não se faz de um dia para o outro, mas que requer paciência para que não seja muito visível o outro "rosto" da mudança que, afinal de contas, se queria para melhor. 

5. O poder absoluto: Fase 2

Dominado o poder e as instituições há que criar condições para que o poder se perpetue e para isso há que dominar os focos de contestação que aqui e acolá persistem em incomodar os novos senhores. Não interessa se têm 90% de aprovação popular, porque não compreendem nem aceitam os outros 10% (parece familiar?). Viram-se as armas - por vezes reais - contra os desalinhados. Tudo serve para os desmoralizar. Se não é possível prendê-los então que se encham de processos crime, civis, providências passando também pela sua descredibilização publica permanente, com falsas notícias (parece familiar?), passando a ideia de que aquilo que ainda não se conseguiu é culpa de outros e não própria quando, afinal, já nada há a barrar o seu próprio poder e os fins pretendidos.

6. As milícias

Frustradas as tentativas de controlo absoluto o poder entra em modo obsessivo. Julga estar a ser alvo de ataque eminente por forças que apenas o próprio parece conhecer e, pior ainda, muitas vezes apenas imagina, e para se defender reúne-se de uma espécie de força de "elite" disposta a tudo para defender o muro que se foi construindo e que ameaça tornar-se num castelo que apenas visa proteger o soberano deixando de fora quem o elegeu. Nesta altura poderá perguntar-se: o que é que tal tem a ver com futebol? Para que não se pense que a alusão inicial rapidamente foi esquecida então é preciso esclarecer que, neste particular, o "exército" mais à mão são habitualmente as claques (parece familiar? Alcochete?).

7. O poder absoluto: Fase final

Alheado do mundo e incapaz de controlar o seu próprio poder, a agressividade descontrolada toma a forma de luta pela sobrevivência. Os antigos aliados viraram opositores (parece familiar?), os apoios vão caindo, o "general" está cada vez mais isolado e só o que resta das suas tropas, um conjunto violento, a tudo disposto e com pouco ou nada a perder, vai alimentando o seu poder. Todos apelam a um bom-senso que já cessou de existir (parece familiar?), a uma réstia de capacidade de julgamento próprio que o leve a abandonar voluntariamente o poder, enfim, o sentimento inicial de pena vai dando lugar a uma revolta generalizada, cujos meios a ninguém aproveitam, mas normalmente com um triste fim à vista, senão mesmo com data marcada (parece familiar?).

8. A queda

A realidade toma conta do mundo imaginário a que o detentor do poder absoluto se arrogou. A queda é a consequência, quase sempre de forma ultrajante ou mesmo violenta, raramente pelo voto, essa réstia de esperança que se há-de seguir à queda do ditador. Alguns pseudo-seguidores disparam ainda as últimas "balas" de pólvora seca apesar de já nada haver para defender. Nos dias seguintes, qual pessoa prestes a afogar-se, mas que insiste em manter as mãos à tona, aparecerá à distância a insistir na mesma loucura que levou à sua queda. Aos seus inimigos, agora basicamente quase todos, falará de ingratidão (parece familiar?), de ressentimento, não próprio e jamais de arrependimento.

Qual é a verdadeira moral de tudo isto?

O ponto comum entre a ascensão de alguém ao poder e a sua queda são os principais "atores" neste filme de argumento tantas vezes repetido: todos nós. 

O poder não se esgota nestes dois momentos de ascensão e queda. Sobre os cidadãos impende a obrigação quase sagrada de avaliar o carácter de quem se prestam para colocar no poder. Sobre os cidadãos recai a obrigação intransferível de controlo da forma como o poder é exercido para que este não se torne um fardo sobre eles próprios. 

As falsas promessas, os messias de ocasião são, quase sempre, ilusões de uma realidade bem mais complexa que esconde as verdadeiras intenções de quem julga e quer fazer crer que tem as respostas para todos os males, sem olhar a meios para atingir os fins.

Quase sempre o que resta está bem pior do que se encontrava inicialmente e que supostamente deveria ter sido corrigido. E esse é o maior sinal de falência do sistema. É precisamente a incapacidade de perceber que a mudança tem de levar a algo novo, um novo paradigma. A certeza parece, porém, a contrária, uma espécie de "eterno retorno" no sentido da desgraça. Os novos ventos dos EUA, Alemanha, Itália, Holanda, Polónia, Filipinas, Venezuela, etc., ou até ao nível de um presidente de um grande clube de futebol, são talvez o regresso ao ponto inicial do poder absoluto: os seus fundamentos. 

"Government of the people, by the people, for the people, shall not perish from the Earth" (Abraham Lincoln)

domingo, 24 de junho de 2012

A genealogia de um povo - Parte I

Devo confessar que poucos são os temas sobre os quais a minha vontade pessoal em me debruçar sobre eles é mínima ou mesmo nula.

E um desses temas é o futebol.

Tal entendimento não deriva de uma menor gosto por esta modalidade mas, tão-somente, por entender que sobre o mesmo são já tantos que falam e escrevem que, creio, pouco ou nada restará para dissertar adequadamente sobre esta matéria.

Contudo, nos dias que correm, é quase incontornável abordar esta temática, fruto, claro está, do evento do Campeonato Europeu.

Com a auto-restrição que me impus relativamente à abordagem aos assuntos do futebol, a minha visão só poderá centrar-se na forma como os portugueses lidam com a perspectiva de sucesso ou insucesso que naturalmente decorre de qualquer competição.

A primeira constatação é a que resulta de uma espécie de exacerbamento patriótico de parte significativa da população traduzido no arvorar da bandeira nacional e no recorrente trautear do hino, simbolicamente de mão no peito.

Nada me move contra este movimento com tão forte carga simbólica embora, e esta é a perspectiva que me interessa abordar, entenda que tamanha manifestação de “carinho” pelos símbolos da nação não pode nem deve cingir-se a eventos que ocorrem de dois em dois anos, no curto espaço de um mês (ou menos, consoante a prestação da equipa nacional) e, ser quase exclusiva de quem seja aficionado do chamado “desporto-rei”.

Bem pelo contrário, este espírito deveria ser transversal a todos os portugueses e em qualquer circunstância, isto é, não ser temporalmente circunscrita e não se resumir ao desempenho da Selecção Nacional nesse mesmo período.

Deveria, antes de mais, ser um sentimento que nos deveria acompanhar em todos momentos, numa perspectiva de superação pessoal e colectiva, tanto mais relevante em períodos de crise como os que atravessamos.

Dessa forma, a valorização da nossa cultura milenar, a preservação dos espaços públicos, do respeito pelos símbolos e instituições, exercício de uma cidadania activa e de cívismo, entre muito outros aspectos simbólicos, ganharia uma nova força, porventura menos mediática mas certamente não menos importante.

Infelizmente “percebe-se” que assim não seja.

O futebol é, há largos anos, uma espécie de escape de um sentimento colectivo, nele se congregando simultaneamente todas as ambições mas igualmente o seu oposto, ou seja, também as frustrações.
Tal é particularmente “visível” na forma extrema como lidamos nesses momentos concretos com as vitórias ou com as derrotas, a partir dos quais “flutuamos” quase sempre entre a euforia extrema e a desilusão profunda.

De igual modo é mais do que evidente que o “desviar” da atenção mediática para este tipo de eventos tem um efeito de descompressão relativamente àqueles sobre os quais incidem normalmente os “holofotes”, isto é, o Governo e respectivos membros, independentemente da cor política de ocasião.

Esta circunstância traz-me à minha memória a letra da canção “Meu Caro Amigo” de Chico Buarque que dizia assim:

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate o sol

Enquanto boa parte dos cidadãos estiver “entretido” com este tipo de eventos desportivos ou mega concertos, a acção governativa estará certamente menos exposta à opinião pública e, diria mesmo, da própria atenção das oposições.

Por isso mesmo o refrão da referida canção acabava invariavelmente por dizer que:

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

A síntese de tudo isto é que o sentimento de uma verdadeira nacionalidade não se deve por um lado resumir à adesão em massa a eventos de natureza fugaz nem levar-nos a pensar que nesse mesmo período os problemas que a todos nos afectam deixaram de existir ou sequer se encontram suspensos temporalmente. 

Ontem, ao cruzar uma rua deparei-me com um conjunto de crianças que não teria mais de 3 anos e que gritavam em coro por Portugal e esta imagem e som recordou-me - com alguma emoção, diga-se – que o sentimento expresso por essas crianças era puro, por ser simultaneamente incondicional mas igualmente inocente e absolutamente sincero.

Não consigo imaginar melhor lição para todos nós. Assim vão as cousas.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Sonho XXI - Futindoor

No dia 24 de Março de 2011 a equipa de Benjamins "B" do SONHO XXI - FUTINDOOR venceu a 
Série D da AF Setubal

A comemoração faz-se à maneira dos "grandes" com o respectivo registo para a posteridade.


Pos.EquipaPJVEDGMGS
1 4316141110918Jogos
2 3616120410026Jogos
3 351611236239Jogos
4 331611056437Jogos
5 25168176764Jogos
6 22167184149Jogos
7 131641113458Jogos
8 41611146100Jogos
9 116011514106Jogos