Olá meus queridos avós,
Posso tratar-vos por tu?
Bem sei que as convenções e os costumes o desaconselham,
Mas vamos imaginar que tenho 6, 7, 8, 9 anos,
Quando a minha ingenuidade me impedia de pensar que algum dia haveriam de partir,
Deixem-me recordar-vos assim,
Podemos ir a São Martinho outra vez para te poder ver tomar o teu banho de praia anual?
Peço-vos que me desculpem se a minha idade alguma vez vos fez sentir tristes,
Desculpem-me se eu pensava que uma galinha podia voar,
Posso voltar a comer o maior e mais bem cheiroso pêssego do arressaio?
À medida que foram partindo algo de mim foi morrendo também,
Felizmente não a cabeça e o coração para saber o quanto gosto de vocês,
Para me lembrar de vocês todos os dias,
Posso ver-te fazer bolas de futebol?
Ensinas-me a fazer uma para eu guardar para sempre?
Desculpa se eu achava que os púcaros eram para deitar abaixo,
Os vossos netos sentem a vossa falta,
Os vossos bisnetos também,
Mesmo aqueles que vocês não chegaram a conhecer,
Desculpem-me se não vos vi antes de descerem à terra,
A minha ultima imagem de vocês tem de ser viva como eu vos conheci,
Podemos andar de mota outra vez?
Lembram-se quando os vossos netos andavam de bicicleta no adro da igreja,
Quando os sinos tocavam para a missa, casamentos e funerais,
E vínhamos à janela ver quem passava escondidos atrás da cortina,
Um dia também tocaram por vocês,
Pareceu-me diferente, mais longo, mais triste,
Podemos voltar receber o Senhor Prior com as amêndoas da Pascoa?
Com os melhores fatos de Domingo?
Lamento que os vossos bisnetos nunca venham a viver tudo isto,
Espero poder transmitir-lhes quem eram vocês,
Podemos andar de carroça mais uma vez?
Posso ser eu a leva-la?
Desculpem-me se não chorei tudo o que devia quando partiram,
Acreditem que por dentro correm lágrimas de sangue,
Podemos ir visitar a casa dos tios?
A tia Milú ainda cá anda, como antecipou o tio Manuel,
Parece-se tanto contigo avó,
Tocas mais uma vez o teu clarinete?
Posso ordenhar as vacas e as ovelhas?
Jogamos mais uma cartada da bisca?
Desculpem-me se não vos disse nada disto em vida,
Mas afinal de contas só tenho 6, 7, 8, 9 anos,
Podemos repetir tudo outra vez?
Obrigado...
domingo, 27 de outubro de 2019
domingo, 14 de abril de 2019
De regresso a Edimburgo / Air ais gu Dùn Èideann
A parte "simpática" de ter uma viagem que não está condicionada por nada nem ninguém para além dos dias de chegada e partida é o de podermos adaptar o programa de viagem de acordo com as circunstâncias sempre imprevisiveis de quem, afinal de contas, viaja com um destino em mente mas sem a pressão das horas.
Se a isto juntarmos a possibilidade de otimizar o tempo em cada paragem de acordo com a realidade de cada local, quase sempre distinta do que nós próprios antecipamos, permite transferir para o dia seguinte aquilo que não se fez de véspera porque, por algum motivo, não foi possível.
Tal foi o caso das visitas a dois locais de interesse em Glasgow, bem perto da Catedral, que na véspera e por se tratarem de edificios públicos, estavam encerrados precisamente ao público.Importa referir que, sem prejuizo do que mais adiante se irá dizer, que a principal razão para o prolongar da estadia foi a quase obrigatoriedade de visitar o local onde se encontra uma das maiores obras de arte da história, ainda que reconhecendo que este titulo está necessáriamente repleto de subjetivismo, mas sendo a arte precisamente uma realidade inteiramente sujeita a subjetividades dependentes do gosto de cada um, não vale a pena perder tempo a pensar no que os outros pensam e fazer a nossa própria avaliação.
Essa obra intitulada Christ of Saint John of the Cross, do pintor espanhol Salvador Dali, sempre me impressionou ao ponto de ser quase um ponto de honra poder, uma vez que fosse na vida, contempla-la. E isso proporcionou-se precisamente em Glasgow, embora não da forma esperada.Mas, em primeiro lugar, estava agendada a visita a um edifico histórico, o Provand's Lordship, o unicio edificio do período medieval de Glasgow, decorado com mobiliário e pinturas do século 17, tornam a visita a este local de fato interessente, sem ser contudo obrigatório.
Mesmo em frente fica então o local onde se encontraria a pintura de Dali, no St. Mungo Museum of Religious Life and Art, um edificio bem mais interessante do exterior do que no seu interior ao qual acedemos para ávidamente chegar ao objetivo quase unico de ali estar.Contudo, sala após sala parecia adiar-se o tão ansiado encontro por a dita pintura parecia não estar em lugar algum o que, diga-se, até fazia sentido face ao tipo de museu em causa.
Terminada a visita, a desilusão. A pintura não estava naquele museu. Felizmente, na entrada estava precisamente uma brochura com o famoso quadro e questionado sobre o seu paradeiro fomos informados que havia 13 anos já ali não se encontrava e que apenas ali tinha estado por ocasião das obras do seu local de origem, o Kelvingrove Art Gallery and Museum, para onde rapidamente nos dirigimos.
Este imponente museu espanta logo à sua entrada e deixa um pouco desconforto por não ter sido possivel a ele dedicar mais tempo, tratando-se claramente de um local que encerra uma magnifica coleção de obras de arte, a que só o tempo necessário permite a correta fruição.
Não sendo possível dedicar esse tempo ao museu optou-se por imediatamente ir direto ao que vinhamos e contemplar a grandiosidade da obra de Dali, repleto de emoção pela beleza daquele quadro mas também por representar aqueles raros momentos em que percebemos que os nossos sonhos se realizam.Descrever o que o quadro nos transmite não é tarefa simples por encerrar sensações que as letras ainda não descrevem ou, pelo menos, a arte do escritor não sabe descrever.
Em seguida percorremos algumas das outras salas, repletas de quadros de autores de renome das diferentes escolas de pintura. Ficou muito por ver, mas antes da saída ainda se arranjou tempo para voltar à sala escura onde repousa o Christ of Saint John of the Cross. Quem já visitou a Capela Sistina em Roma sabe o que representa contemplar a perfeição e a cada momento encontrar novos elementos de beleza.Era hora de regressar a Edinburgo, não sem antes passar em frente ao grandioso edificio da Univerdade de Glasgow, mesmo ali ao lado.
Aquela cidade estranha ao inicio, com um ar algo intimidante da noite anterior, deu lugar a uma imagem de uma elegante cidade, com muito para ver.
O regresso a Edimburgo, contudo, ainda não seria imediato posto que havia mesmo a caminho um local de relevante interesse turistico não porque soubessemos exatamente até que ponto esse interesse resultaria mais da fama mediática ou da sua real beleza.
Refiro-me à Rosslyn Chapel que se tornou famosa por fazer parte do enredo de uma obra literária e do filme que dela resultou e que por ter vendido milhões em livros e em receitas atraiu àquele local um numero considerável de visitantes.

Creio que fará sentido, sobretudo a quem leu o livro, de seu nome "O Código Da Vinci", dizer que poucas ou nenhumas referências ao livro e filme existem naquele local. O que existe, isso sim, é uma belissima capela, repleta de singularidades que fixam o nosso olhar a cada momento, sejam as colunas ou as ricamente decoradas paredes tudo é belo e estranho naquele local.
Mereceu plenamente a correria para ali chegar antes que fechasse e antes de regressar o ponto de partida, Edimburgo.
domingo, 14 de outubro de 2018
Um dia em Glasgow / Latha ann an Glaschu
Aviso prévio, existem duas Glasgow, a maior cidade da Escócia, uma que se pode viver de noite e outra, complementamente diferente, durante o dia.
Por isso mesmo, em bom rigor, há que descrever a estadia nesta cidade em dois momentos, isto é, o dia da chegada e que corresponde ao final do dia na cidade e dia imediatamente seguinte.
Devo, em abono da verdade, revelar que o motivo principal da inclusão desta cidade no roteiro pela Escócia não estaria tanto relacionado com referências de destaque da cidade, ou seja, que só por si justificassem uma visita à mesma, mas fundamentalmente um desejo pessoal com vários anos de visitar o local onde se encontra uma das obras-primas de eleição da história da pintura, uma daquelas relações de fascínio incompreensivel que só algumas obras conseguem transmitir e que por isso mesmo, dificil mesmo será traduzir em palavras escritas aquilo que fundamentalmente essa obra nos transmite.
Antecipo-me à curiosidade e desde já anuncio tratar-se de uma pintura do mestre Salvador Dali, denominada de "Cristo de São João da Cruz" a qual, em jeito de antecipação, supunha poder ser visitada na St Mungo Museum of Religious Life and Art, local onde o nosso guia de viagem indicava poder ser visitada.
Mas voltemos à noite de Glasgow.
Desde logo que se nota uma estranha animação de rua, daquela em que a nossa percepção sobre os movimentos transita constantemente entre a sensação de insegurança ou de ter entrado num qualquer filme do cineasta Ken Loach quando este filme sobre a miséria, patologias sociais e familiares e de bem-estar social. Numa só frase: toda a gente na rua nos parece estranha, ou pegando na descrição anterior, miserável do ponto de vista social e familiar.
A sensação não é de facto simpática para o visitante, habituado até então a uma Escócia verdejante, habitada por uma classe média-superior, educada e civilizada. Preconceito? Talvez. Mas nada nos prepara para o que sentimos e quando isso acontece refugiamo-nos em raciocinios porventura pouco racionais, posto que não tivemos sequer tempo para conhecer verdadeiramente aquele local quanto mais poder tirar verdadeiras conclusões sobre o mesmo.
O objectivo da saída noturna era sobretudo de arranjar local para jantar, deixando de fora os muitos pubs de onde era possivel ouvir claramente o som desafinado de sessões de karaoke, regado pela cerveja local e algo mais.
Surge então um restaurante chinês como opção quando quase todas as outras já pareciam fechadas, apesar de apenas serem 9 horas da noite. Mas mesmo este local parece indiciar algum cuidado com o ambiente externo: podia jantar-se mas pagando préviamente. Assim fizemos, comemos e rapidamente regressámos ao hotel. Venha a Glasgow de dia.
E de facto existe outra cidade durante o dia. Uma cidade agradável, repleta de edificios do período Vitoriano, razoavelmente limpa, quase que tornando inimaginável ser esta a mesma cidade que também tem um lado sombrio.
O objectivo imediato da visita apontava para o local onde poderiamos visitar o ex-libris da cidade a Catedral de Glasgow em cujas traseiras se destaca a Necrópole, um curioso edificio histórico denominado Provand's Lordship e, finalmente, o tão ambicionado St Mungo Museum of Religious Life and Art onde, supostamente, haveriamos de nos encontrar com a fantástica pintura de Dali.
Mas esta coisa de viajar tem sempre surpresas e esta talvez nem fosse o caso de a ser mas quer a Provand's Lordship quer a St Mungo Museum of Religious Life and Art estavam encerrados, como tantas vezes acontece com edificios públicos às segundas-feiras.
Como seria inimaginável partir desta cidade sem tornar real o sonho de ver o quadro de Dali logo ficou definido adiar a saída da cidade para um pouco mais tarde no dia seguinte, de forma possibilitar o dito cumprimento de sonho, ainda que também neste capítulo ainda não estivessem esgotadas as surpresas...
A Catedral de Glasgow é, de facto, um edificio de monumental beleza, de caracteristicas totalmente distintas dos locais de culto visitados até então, com toda a iconografia católica bem presente num país quase todo ele protestante, cujas origens remontam ao século XII mas impecávelmente conservada.
Nas traseiras da Catedral ergue-se um espaço de consideráveis dimensões na zona mais alta da cidade onde fica localizada a Necrópole da cidade, ela propria uma verdadeira cidade onde todas as campas parecem ter sempre mais de 100 anos, uma espécie de museu alternativo onde a história da cidade repousa.
Sobre esta Necrópole e os cemitérios em geral na Escócia importa ter presente que são entendidos antes de mais como verdadeiros jardins, locais onde é possivel passear descontraidamente, passear com as crianças, até mesmo namorar ou fazer um piquenique. Sim, presenciámos todos estes momentos. Nada ali é macabro ou pode ser entendido como desrespeitoso por ali andar. Faz parte da paisagem. A relva verde e cuidada é o tom dominante conjuntamente com milhares de pedras tumulares quase todas elas impecavelmente cuidadas.
Dali partimos para as restantes atracções na cidade, destacando-se em particular a City Chambers, a câmara da cidade, a Mitchell Library que em frente tem uma curiosa estátua do Duke de Wellington montado no seu cavalo, algo que não seria nada de extraordinário não fosse o caso de ter na sua cabeça um daqueles cones de sinalização que frequentemente podemos ver nas estradas colocado sob... a sua cabeça. Primeiro pensamos que é apenas um acto de vandalismo, mas depois percebe-se que é mesmo assim, certamente não desde o inicio, o que transformou este monumento numa das 10 mais bizarras atracções do mundo.
A George Square é também um local de referência. Espaço amplo e agradavel.
Seguiu-se um longo trajecto a pé até uma das curiosidades da cidade de Glasgow, a Tenement House, um apartamento do século XIX, que conservou até aos dias hoje todas as condições em que foi habitado ao longo do século XX, um verdadeiro museu sobre o que era viver em Glasgow durante esse período.
O dia haveria de terminar junto ao rio, com uma visita à Clydside Distillery, uma das muitas distilerias da Escócia, uma espécie de romaria que não pode deixar de ser feita ao visitar este país, seja qual for a marca,
conhecendo e sobretudo aprendendo a apreciar o famoso wiskey escocês e ali perto a Riverside Museum of Transport and Travel, uma impressionante e imperdivel coleção de todo o tipo de meios de transporte, impecavelmente organizado e com entrada gratuita, num edificio igualmente impressionante.
Do lado de fora encontramos um enorme navio ao qual não foi possivel aceder em virtude do adiantado da hora, no denominado Tall Ship at Riverside.
O dia terminava e a ideia de voltar à Glasgow "da noite" não era suficientemnete apelativa pelo que o jantar foi perto do hotel. O dia seguinte ficava reservado para o que faltava.
Por isso mesmo, em bom rigor, há que descrever a estadia nesta cidade em dois momentos, isto é, o dia da chegada e que corresponde ao final do dia na cidade e dia imediatamente seguinte.
Devo, em abono da verdade, revelar que o motivo principal da inclusão desta cidade no roteiro pela Escócia não estaria tanto relacionado com referências de destaque da cidade, ou seja, que só por si justificassem uma visita à mesma, mas fundamentalmente um desejo pessoal com vários anos de visitar o local onde se encontra uma das obras-primas de eleição da história da pintura, uma daquelas relações de fascínio incompreensivel que só algumas obras conseguem transmitir e que por isso mesmo, dificil mesmo será traduzir em palavras escritas aquilo que fundamentalmente essa obra nos transmite.
Antecipo-me à curiosidade e desde já anuncio tratar-se de uma pintura do mestre Salvador Dali, denominada de "Cristo de São João da Cruz" a qual, em jeito de antecipação, supunha poder ser visitada na St Mungo Museum of Religious Life and Art, local onde o nosso guia de viagem indicava poder ser visitada.
Mas voltemos à noite de Glasgow.
Desde logo que se nota uma estranha animação de rua, daquela em que a nossa percepção sobre os movimentos transita constantemente entre a sensação de insegurança ou de ter entrado num qualquer filme do cineasta Ken Loach quando este filme sobre a miséria, patologias sociais e familiares e de bem-estar social. Numa só frase: toda a gente na rua nos parece estranha, ou pegando na descrição anterior, miserável do ponto de vista social e familiar.
A sensação não é de facto simpática para o visitante, habituado até então a uma Escócia verdejante, habitada por uma classe média-superior, educada e civilizada. Preconceito? Talvez. Mas nada nos prepara para o que sentimos e quando isso acontece refugiamo-nos em raciocinios porventura pouco racionais, posto que não tivemos sequer tempo para conhecer verdadeiramente aquele local quanto mais poder tirar verdadeiras conclusões sobre o mesmo.
O objectivo da saída noturna era sobretudo de arranjar local para jantar, deixando de fora os muitos pubs de onde era possivel ouvir claramente o som desafinado de sessões de karaoke, regado pela cerveja local e algo mais.
Surge então um restaurante chinês como opção quando quase todas as outras já pareciam fechadas, apesar de apenas serem 9 horas da noite. Mas mesmo este local parece indiciar algum cuidado com o ambiente externo: podia jantar-se mas pagando préviamente. Assim fizemos, comemos e rapidamente regressámos ao hotel. Venha a Glasgow de dia.
E de facto existe outra cidade durante o dia. Uma cidade agradável, repleta de edificios do período Vitoriano, razoavelmente limpa, quase que tornando inimaginável ser esta a mesma cidade que também tem um lado sombrio.
O objectivo imediato da visita apontava para o local onde poderiamos visitar o ex-libris da cidade a Catedral de Glasgow em cujas traseiras se destaca a Necrópole, um curioso edificio histórico denominado Provand's Lordship e, finalmente, o tão ambicionado St Mungo Museum of Religious Life and Art onde, supostamente, haveriamos de nos encontrar com a fantástica pintura de Dali.
Mas esta coisa de viajar tem sempre surpresas e esta talvez nem fosse o caso de a ser mas quer a Provand's Lordship quer a St Mungo Museum of Religious Life and Art estavam encerrados, como tantas vezes acontece com edificios públicos às segundas-feiras.
Como seria inimaginável partir desta cidade sem tornar real o sonho de ver o quadro de Dali logo ficou definido adiar a saída da cidade para um pouco mais tarde no dia seguinte, de forma possibilitar o dito cumprimento de sonho, ainda que também neste capítulo ainda não estivessem esgotadas as surpresas...A Catedral de Glasgow é, de facto, um edificio de monumental beleza, de caracteristicas totalmente distintas dos locais de culto visitados até então, com toda a iconografia católica bem presente num país quase todo ele protestante, cujas origens remontam ao século XII mas impecávelmente conservada.
Nas traseiras da Catedral ergue-se um espaço de consideráveis dimensões na zona mais alta da cidade onde fica localizada a Necrópole da cidade, ela propria uma verdadeira cidade onde todas as campas parecem ter sempre mais de 100 anos, uma espécie de museu alternativo onde a história da cidade repousa.Sobre esta Necrópole e os cemitérios em geral na Escócia importa ter presente que são entendidos antes de mais como verdadeiros jardins, locais onde é possivel passear descontraidamente, passear com as crianças, até mesmo namorar ou fazer um piquenique. Sim, presenciámos todos estes momentos. Nada ali é macabro ou pode ser entendido como desrespeitoso por ali andar. Faz parte da paisagem. A relva verde e cuidada é o tom dominante conjuntamente com milhares de pedras tumulares quase todas elas impecavelmente cuidadas.
Dali partimos para as restantes atracções na cidade, destacando-se em particular a City Chambers, a câmara da cidade, a Mitchell Library que em frente tem uma curiosa estátua do Duke de Wellington montado no seu cavalo, algo que não seria nada de extraordinário não fosse o caso de ter na sua cabeça um daqueles cones de sinalização que frequentemente podemos ver nas estradas colocado sob... a sua cabeça. Primeiro pensamos que é apenas um acto de vandalismo, mas depois percebe-se que é mesmo assim, certamente não desde o inicio, o que transformou este monumento numa das 10 mais bizarras atracções do mundo.
A George Square é também um local de referência. Espaço amplo e agradavel.Seguiu-se um longo trajecto a pé até uma das curiosidades da cidade de Glasgow, a Tenement House, um apartamento do século XIX, que conservou até aos dias hoje todas as condições em que foi habitado ao longo do século XX, um verdadeiro museu sobre o que era viver em Glasgow durante esse período.
O dia haveria de terminar junto ao rio, com uma visita à Clydside Distillery, uma das muitas distilerias da Escócia, uma espécie de romaria que não pode deixar de ser feita ao visitar este país, seja qual for a marca,
conhecendo e sobretudo aprendendo a apreciar o famoso wiskey escocês e ali perto a Riverside Museum of Transport and Travel, uma impressionante e imperdivel coleção de todo o tipo de meios de transporte, impecavelmente organizado e com entrada gratuita, num edificio igualmente impressionante.Do lado de fora encontramos um enorme navio ao qual não foi possivel aceder em virtude do adiantado da hora, no denominado Tall Ship at Riverside.
O dia terminava e a ideia de voltar à Glasgow "da noite" não era suficientemnete apelativa pelo que o jantar foi perto do hotel. O dia seguinte ficava reservado para o que faltava.
terça-feira, 11 de setembro de 2018
A caminho de Glasgow / Air an t-slighe gu Glaschu
A fantástica Ilha de Skye ficou para trás e, como em qualquer viagem que se preze, não é ainda o tempo para retrospectivas do que ficou visto ou ficou por ver, o tempo é um ditador e o alinhamento da viagem não se presta a revoluções.
O destino seguinte não seria, porventura, daqueles que seria por si mesmo apelativo em função de quaisquer referências culturais relevantes mas, porque a cultura popular também é ela própria uma forma de cultura, era incontornável "aderir" a uma das muitas referências iconográficas da Escócia, uma espécie de herói dos tempos modernos, não porque seja de origem escocesa ou pelos seus grandes feitos, mas sim porque quis o destino boa parte das imagens que percorrem o imaginário dos fãs do feiticeiro Harry Potter terem sido precisamente filmadas nesta região.
Um desses locais é a localidade de Glenfinnan que tem, para além de um monumento de homenagem ao já anteriormente referido Bonni Prince Charlie, um viaduto onde passa, literalmente, o comboio que no filme haverá de levar os aprendizes de feiticeiro à escola de Hogwarts.
Tudo está montado para ser lembrado como tal. Apesar da distancia considerável a que passa o dito comboio faz questão de apitar préviamente à sua chegada, antecipando a emoção daqueles que por alí se encontram prepositadamente para esse efeito, lançando fumo branco durante o caminho, envergando as mesmas cores que o fizeram involuntáriamente famoso, a ele e ao aqueduto.
Diga-se que a "emoção" dura escassos minutos e por isso mesmo é tempo de seguir em frente passando pela localidade de Fort William, uma pequena e pacata vila onde é possivel passear pela sua principal avenida e apreciar as lojas à falta de motivos maiores para ali permanecer por muito mais tempo.
O caminho até Glasgow faz-nos passar por duas maravilhas naturais escocesas, Glencoe e Loch Lomond.

O primeiro destes locais, Glencoe, é um vale verdejante, ladeado por montanhas onde polulam caminhantes mais ou menos organizados e que desagua num dos muitos lagos da Escócia, o Loch Leven. Diz-se que será um dos locais mais bonitos de toda a Escócia. Por mim não faço escolhas, é bonito, unico e incomparável. É assim que melhor se aprecia cada local.

O Loch Lomond fica situado no Parque Nacional de Trossachs e faz a fronteira entre as Highlands e as Lowlands da Escócia, no qual "flutuam" inúmeras ilhas, quase sempre de pequenas dimensões mas bastande arborizadas.
É mais um cenário idilico que se percebe ser bastante apreciado para passeios de barco e mesmo para veranear nas suas margens devido à água sempre calma (e doce).
Dali a Glasgow são cerca de 23kms coisa pouca portanto e que se faz com relativa rapidez.
Desembarcados nesta cidade é tempo de descansar no hotel e escolher onde jantar, o que em si mesmo dá direito a uma anotação de viagem propria, mas isso ficará para o dia seguinte.
O destino seguinte não seria, porventura, daqueles que seria por si mesmo apelativo em função de quaisquer referências culturais relevantes mas, porque a cultura popular também é ela própria uma forma de cultura, era incontornável "aderir" a uma das muitas referências iconográficas da Escócia, uma espécie de herói dos tempos modernos, não porque seja de origem escocesa ou pelos seus grandes feitos, mas sim porque quis o destino boa parte das imagens que percorrem o imaginário dos fãs do feiticeiro Harry Potter terem sido precisamente filmadas nesta região.Um desses locais é a localidade de Glenfinnan que tem, para além de um monumento de homenagem ao já anteriormente referido Bonni Prince Charlie, um viaduto onde passa, literalmente, o comboio que no filme haverá de levar os aprendizes de feiticeiro à escola de Hogwarts.
Tudo está montado para ser lembrado como tal. Apesar da distancia considerável a que passa o dito comboio faz questão de apitar préviamente à sua chegada, antecipando a emoção daqueles que por alí se encontram prepositadamente para esse efeito, lançando fumo branco durante o caminho, envergando as mesmas cores que o fizeram involuntáriamente famoso, a ele e ao aqueduto.
Diga-se que a "emoção" dura escassos minutos e por isso mesmo é tempo de seguir em frente passando pela localidade de Fort William, uma pequena e pacata vila onde é possivel passear pela sua principal avenida e apreciar as lojas à falta de motivos maiores para ali permanecer por muito mais tempo.O caminho até Glasgow faz-nos passar por duas maravilhas naturais escocesas, Glencoe e Loch Lomond.

O primeiro destes locais, Glencoe, é um vale verdejante, ladeado por montanhas onde polulam caminhantes mais ou menos organizados e que desagua num dos muitos lagos da Escócia, o Loch Leven. Diz-se que será um dos locais mais bonitos de toda a Escócia. Por mim não faço escolhas, é bonito, unico e incomparável. É assim que melhor se aprecia cada local.

O Loch Lomond fica situado no Parque Nacional de Trossachs e faz a fronteira entre as Highlands e as Lowlands da Escócia, no qual "flutuam" inúmeras ilhas, quase sempre de pequenas dimensões mas bastande arborizadas.
É mais um cenário idilico que se percebe ser bastante apreciado para passeios de barco e mesmo para veranear nas suas margens devido à água sempre calma (e doce).
Dali a Glasgow são cerca de 23kms coisa pouca portanto e que se faz com relativa rapidez.
Desembarcados nesta cidade é tempo de descansar no hotel e escolher onde jantar, o que em si mesmo dá direito a uma anotação de viagem propria, mas isso ficará para o dia seguinte.
O último dia na Escócia / An latha mu dheireadh ann an Alba
Regressados ao ponto de partida não era ainda exatamente o tempo de retomar as visitas ao que ficara por visitar no final do primeiro dias uma vez que, estando o carro disponivel, havia que desfrutar disso mesmo e fazer alguns kilometros para visitar a Abadia de Dunfermline, uma espécia de panteão nacional dos heróis escoceses.Um local muito aprazível, não tanto por essa caracteristica de panteão que, diga-se não é assim tão visivel por via da acção dos tempos, mas por se tratar de um local de fato bonito e que justificou a visita.
Era tempo de regressar a Edimburgo, devolver o carro após quase 2500kms ou o seu equivalente em milhas, sempre conduzidos do "lado errado", mas felizmente sem quaisquer problemas.
Por isso mesmo o primeiro ponto de visita seria aquele que ficara inacabado por causa de Sua Alteza Real a raínha de Inglaterra (e da Escócia).O palácio de Holyrood bem no extremo oposto do Royal Mile de Edimburgo é um museu repleto de referências históricas da Escócia, particularmente à Queen Mary cuja história de vida (e de morte) está precisamente ligada à ascensão de uma antepassada da Raínha Isabel II, muito apropriadamente a da Raínha Isabel I, prima da dita Queen of the Scots, do qual resultaria a união do reino, logo após a sua cabeça ter literalmente rolado por via de uma acusação de tentativa de assassinato da sua prima.

Tudo impecavelmente decorado é um marco na cidade, que não pode ser esquecido, mesmo que tenhamos de adiar para o fim.
Para o final do dia ficaria o passeio pelo jardim da cidade de uma ponta à outra, detendo-nos particularmente numa curiosa fonte a Ross Foutain, em tons de azul e dourado.E o fim é isso mesmo, o terminar de uma viagem, em que ainda muito ficou por ver, alguns (muitos) castelos, caminhadas pelos campos verdejantes. Mas as viagens são também isso, ficar algo por ver para um dia poder regressar.
domingo, 9 de setembro de 2018
A fantástica Ilha de Skye / An t-Eilean Sgitheanach mìorbhaileach
A manhã deste novo dia começou, em bom rigor, a ser preparada de véspera, com a escolha do que haveria de ser o pequeno-almoço do dia seguinte, para o qual fomos desde logo "avisados" que não seriam bem-vindos telemóveis, hábitos a que nós, como convidados mesmo que pagantes, devemos aceitar e sobretudo respeitar.
Terminado o belíssimo repasto matinal, o dono daquela B&B, um austríaco de nascença mas radicado há largos anos naquela ilha fez questão, com todo o gosto notava-se, de nos aconselhar os melhores locais de visita, porventura não tão turisticos como o próprio fez questão de frisar.
Conscientes de que dificilmente poderiamos dar com todos aqueles locais ou que alguns implicariam longas caminhadas para as quais não nos encontrávamos minimanente preparados, partimos, pois, em direção à Kilt Rock e Mealt Falls, uma extraordinária "parede" da qual se tem uma visão lateral e de onde escorre, como o próprio nome indica, uma queda de água que se afunda num longo precipício.
O passo seguinte, bem mais a norte, eram as ruinas de um castelo local de Duntulm, de facto apenas uma pequena imagem do que terá sido, mas que valia sobretudo pela paisagem deslumbrante, palavra aqui tantas vezes repetida, sobre os campos verdes, onde pastam incontáveis ovelhas e aqui e acolá as "famosos" vacas tipicas escocesas, com a sua proeminante franja, pelagem longa e desgrenhada, de raça Highland Cattle.
Dali seguimos, um pouco mais a sul para o Skye Museum of Island Life, um conjunto impecavelmente conservado de casario tipico daquela ilha há cem anos atrás, de onde se chega a pé até a um cemitério onde descansa mais uma das figuras icónicas da Escócia, Flora MacDonald, com a sua impecável cruz celta, famosa por ter ajudado o Principe Charles Edward Stuart a fugir dos ingleses, disfarçando-o de mulher tendo daí ganho o nome pelo qual haveria de ficar na história como Bonnie Prince Charlie.

A Escócia é tudo isto e algo mais, repleto de mitos, lendas e personagens inesquecíveis, tornados herois nacionais sobretudo pela sua resistência ao invasor inglês.
Ainda mais a sul era tempo de saborear a tradicional e mais famosa bebida escocesa, o whisky, e isso teria de acontecer nos seus tradicionais pubs, mais concretamente o mais antigo pub da ilha, mais exatamente de 1790, onde se saboreou um fabuloso Talisker, um dos mais afamados whiskys locais, cuja distileria fica também na ilha. O local do pub parece saido de um filme, num pequeno casario em fila com o mar pela frente.
Seguimos para um outro local incrivel, com vistas que não param de surpreender, "obrigando" a uma caminhada que se faz com prazer, o Neist Point Lighthouse, ao qual se chega depois de muitas cruvas, em estradas apertadas onde quase sempre só cabe um carro de cada vez (existem diversos pontos de paragem para deixar passar quem se aproxima, ritual que é respeitado religiosamente).
Era chegado o tempo de literalmente embarcar rumo à main land, mais extamente no porto de Armadale, um dos diversos locais onde o ferry faz essa ligação, mas como não o faz a todo o momento e todo o dia, havia que chegar a horas do ultimo a partir.
O tempo agora parecia mesmo escocês, chuvia ligeiramente e o sol dava lugar às nuvens negras, nada que afligisse ou diminuisse a fantástica passagem pela Ilha de Skye, à qual dá vontade de regressar na certeza de que muito ficou por ver.
De Armadale chega-se a Mallaig, local onde se haveria de jantar e ficar nessa noite.
Terminado o belíssimo repasto matinal, o dono daquela B&B, um austríaco de nascença mas radicado há largos anos naquela ilha fez questão, com todo o gosto notava-se, de nos aconselhar os melhores locais de visita, porventura não tão turisticos como o próprio fez questão de frisar.
Conscientes de que dificilmente poderiamos dar com todos aqueles locais ou que alguns implicariam longas caminhadas para as quais não nos encontrávamos minimanente preparados, partimos, pois, em direção à Kilt Rock e Mealt Falls, uma extraordinária "parede" da qual se tem uma visão lateral e de onde escorre, como o próprio nome indica, uma queda de água que se afunda num longo precipício.
O passo seguinte, bem mais a norte, eram as ruinas de um castelo local de Duntulm, de facto apenas uma pequena imagem do que terá sido, mas que valia sobretudo pela paisagem deslumbrante, palavra aqui tantas vezes repetida, sobre os campos verdes, onde pastam incontáveis ovelhas e aqui e acolá as "famosos" vacas tipicas escocesas, com a sua proeminante franja, pelagem longa e desgrenhada, de raça Highland Cattle.Dali seguimos, um pouco mais a sul para o Skye Museum of Island Life, um conjunto impecavelmente conservado de casario tipico daquela ilha há cem anos atrás, de onde se chega a pé até a um cemitério onde descansa mais uma das figuras icónicas da Escócia, Flora MacDonald, com a sua impecável cruz celta, famosa por ter ajudado o Principe Charles Edward Stuart a fugir dos ingleses, disfarçando-o de mulher tendo daí ganho o nome pelo qual haveria de ficar na história como Bonnie Prince Charlie.

A Escócia é tudo isto e algo mais, repleto de mitos, lendas e personagens inesquecíveis, tornados herois nacionais sobretudo pela sua resistência ao invasor inglês.
Ainda mais a sul era tempo de saborear a tradicional e mais famosa bebida escocesa, o whisky, e isso teria de acontecer nos seus tradicionais pubs, mais concretamente o mais antigo pub da ilha, mais exatamente de 1790, onde se saboreou um fabuloso Talisker, um dos mais afamados whiskys locais, cuja distileria fica também na ilha. O local do pub parece saido de um filme, num pequeno casario em fila com o mar pela frente.
Seguimos para um outro local incrivel, com vistas que não param de surpreender, "obrigando" a uma caminhada que se faz com prazer, o Neist Point Lighthouse, ao qual se chega depois de muitas cruvas, em estradas apertadas onde quase sempre só cabe um carro de cada vez (existem diversos pontos de paragem para deixar passar quem se aproxima, ritual que é respeitado religiosamente).
Era chegado o tempo de literalmente embarcar rumo à main land, mais extamente no porto de Armadale, um dos diversos locais onde o ferry faz essa ligação, mas como não o faz a todo o momento e todo o dia, havia que chegar a horas do ultimo a partir.O tempo agora parecia mesmo escocês, chuvia ligeiramente e o sol dava lugar às nuvens negras, nada que afligisse ou diminuisse a fantástica passagem pela Ilha de Skye, à qual dá vontade de regressar na certeza de que muito ficou por ver.
De Armadale chega-se a Mallaig, local onde se haveria de jantar e ficar nessa noite.
domingo, 5 de agosto de 2018
O mais famoso lago da Escócia e a chegada à llha de Skye / An loch as ainmeile ann an Alba agus a 'tighinn dhan Eilean Sgitheanach
Se alguma referência instantânea a generalidade das pessoas terá sobre a Escócia é de que neste local existe um lago famoso que esconde um gigantesco monstro que apenas alguns terão visto, muitos julgam ter visto, mais ainda não viram mas quiseram fazer crer o contrário e esmagadora maioria que tem uma relação com o assunto exclusivamente relacionada com o facto de já terem um dia olhado para o lago à procura de não se sabe bem o quê.
A Escócia é muito isto, uma história feita de combates, heróis, mitos e lendas e o Loch Ness é um exemplo acabado de algo que há muito deixou de ser uma mera curiosidade para ter tornar numa imagem de marca que arrasta multidões até aquele imenso local, pois não se pense que este lago é coisa pequena.
Pelo contrário é um enorme lago, com uma profundidade que nalguns locais atinge quase 230 metros de profundidade, ou seja, quase o dobro da profundidade do Mar do Norte. Por isso mesmo é também um lago muito escuro e de águas geladas, onde consta que pouca vida por ali resistirá quanto mais um monstro centenário mas que, pelos vistos, prescinde de um parceiro ou parceira para se perpetuar no tempo.
O que mais impressiona o no Loch Ness é o seu enquadramento, rodeado de montanhas verdejantes, por ali apetece simplesmente parar para contemplar a natureza, a beleza daquele lago e tudo o que o rodeia e sim, por vezes olhar mais firmemente para as suas águas na esperança de naquele dia podermos ser nós e, presumo, muita gente mais, a presenciar uma das raras e fugazes vindas à superficial do seu mais famoso habitante.
É uma espécie de postura agnóstica relativamente à lenda, isto é, por principio não acredito, mas não digo a 100% que não exista. Para bem do animal talvez seja melhor assim, pois estou certo que o ser humano terá todo o interesse em estuda-lo morto, para a região será sempre preferível que nunca se saiba sob pena das pessoas perderem o interesse naquele local, uma vez que afinal de contas o que não falta pela Escócia são lagos e alguns deles também têm direito ao seu próprio monstro.
Mas o melhor enquadramento para poder desfrutar do lado no seu esplendor é visitando mais um dos seus míticos castelos, um dos tais que tem o seu charme no facto de se encontrar em semi-ruínas, mas cuja localização é demasiado perfeita para ser verdade.
Trata-se do Urquhart Castle, que remonta ao século XIII, situado numa das margens do Loch Ness. Ali se travaram grandes batalhas em defesa da Escócia e o que dele resta é uma pequena imagem do que terá sido em tempos. Vale pela localização e pelas vistas soberbas.
Seguiu-se um almoço na vila e seguir a todo o "vapor" para um outro castelo, sob pena de quando lá chegássemos já se encontrar fechado.
Quando olhamos para o Eilian Donan Castle, ficamos com a sensação de já ter visto aquele local num outro momento qualquer. Talvez num filme, ou num postal ilustrado ou sobretudo numa qualquer busca online para locais "must see in Scotland".
Este castelo é absolutamente idílico. Situado numa rocha na confluência dos lagos Duich e Long tem tudo aquilo que o nosso imaginário retém - sem nunca se tornar num preconceito - sobre a Escócia: grandes lagos e castelos fabulosos. Não se trata de serem grandes. Não é o seu tamanho que impressiona, mas sim o seu enquadramento, a sua beleza exterior quase sempre superior em larga escala ao seu próprio interior.
São locais que ficam na nossa memória por isso mesmo.
Os dois castelos ficavam agora para trás e o caminho seguia com grande ansiedade para um local relativamente ao qual vínhamos carregados de referencias de pessoas amigas que por ali haviam estado antes, uma das diversas ilhas que guardam o território escocês, a Ilha de Skye.
Há duas formas de aceder a esta ilha, por terra através de uma ponte mais a norte ou por ferry com diversas ligações à "main land" ou a outras ilhas. O opção foi entrar pela ponte e partir em direcção à capital, Portree, à procura de local onde ficar.
E este, convém dizer-se, pode ser um verdadeiro problema. Não existem muitos hotéis nesta ilha, existem sim muitos dos tradicionais "Bed and Breakfast", uma espécie de alojamento local, em casas particulares. Simplesmente, fosse do facto de ser fim-de-semana ou por se tratar de um dos locais mais visitados na Escócia, quase sempre as placas que as anunciam - e são às dezenas - tinha também por baixo indicado "No vacancies".
Por momentos parecemos destinados a dormir no carro ou ter de pagar muito mais por uma noite do que o apertado orçamento permitiria até que finalmente uma placa anunciava que por ali ainda havia local para dormir. Não sendo dos locais mais em conta para se ficar também não se diga que era por um valor irrazoável e por isso por ali ficámos, tendo sido desde logo avisados de que naquela casa não se andava de sapatos posto que deveriam ficar à entrada. Cumprido o formalismos era tempo de assentar.
O final de tarde antes de jantar foi aproveitado para conhecer melhor aquela pequena vila portuária, muito pitoresca, sem grandes referencias arquitectónicas mas sobretudo a imagem do que afinal aquela ilha haveria de revelar no dia seguinte.
A Escócia é muito isto, uma história feita de combates, heróis, mitos e lendas e o Loch Ness é um exemplo acabado de algo que há muito deixou de ser uma mera curiosidade para ter tornar numa imagem de marca que arrasta multidões até aquele imenso local, pois não se pense que este lago é coisa pequena.
Pelo contrário é um enorme lago, com uma profundidade que nalguns locais atinge quase 230 metros de profundidade, ou seja, quase o dobro da profundidade do Mar do Norte. Por isso mesmo é também um lago muito escuro e de águas geladas, onde consta que pouca vida por ali resistirá quanto mais um monstro centenário mas que, pelos vistos, prescinde de um parceiro ou parceira para se perpetuar no tempo.
O que mais impressiona o no Loch Ness é o seu enquadramento, rodeado de montanhas verdejantes, por ali apetece simplesmente parar para contemplar a natureza, a beleza daquele lago e tudo o que o rodeia e sim, por vezes olhar mais firmemente para as suas águas na esperança de naquele dia podermos ser nós e, presumo, muita gente mais, a presenciar uma das raras e fugazes vindas à superficial do seu mais famoso habitante.
É uma espécie de postura agnóstica relativamente à lenda, isto é, por principio não acredito, mas não digo a 100% que não exista. Para bem do animal talvez seja melhor assim, pois estou certo que o ser humano terá todo o interesse em estuda-lo morto, para a região será sempre preferível que nunca se saiba sob pena das pessoas perderem o interesse naquele local, uma vez que afinal de contas o que não falta pela Escócia são lagos e alguns deles também têm direito ao seu próprio monstro.
Mas o melhor enquadramento para poder desfrutar do lado no seu esplendor é visitando mais um dos seus míticos castelos, um dos tais que tem o seu charme no facto de se encontrar em semi-ruínas, mas cuja localização é demasiado perfeita para ser verdade.Trata-se do Urquhart Castle, que remonta ao século XIII, situado numa das margens do Loch Ness. Ali se travaram grandes batalhas em defesa da Escócia e o que dele resta é uma pequena imagem do que terá sido em tempos. Vale pela localização e pelas vistas soberbas.
Seguiu-se um almoço na vila e seguir a todo o "vapor" para um outro castelo, sob pena de quando lá chegássemos já se encontrar fechado.
Quando olhamos para o Eilian Donan Castle, ficamos com a sensação de já ter visto aquele local num outro momento qualquer. Talvez num filme, ou num postal ilustrado ou sobretudo numa qualquer busca online para locais "must see in Scotland".
Este castelo é absolutamente idílico. Situado numa rocha na confluência dos lagos Duich e Long tem tudo aquilo que o nosso imaginário retém - sem nunca se tornar num preconceito - sobre a Escócia: grandes lagos e castelos fabulosos. Não se trata de serem grandes. Não é o seu tamanho que impressiona, mas sim o seu enquadramento, a sua beleza exterior quase sempre superior em larga escala ao seu próprio interior.São locais que ficam na nossa memória por isso mesmo.
Os dois castelos ficavam agora para trás e o caminho seguia com grande ansiedade para um local relativamente ao qual vínhamos carregados de referencias de pessoas amigas que por ali haviam estado antes, uma das diversas ilhas que guardam o território escocês, a Ilha de Skye.
Há duas formas de aceder a esta ilha, por terra através de uma ponte mais a norte ou por ferry com diversas ligações à "main land" ou a outras ilhas. O opção foi entrar pela ponte e partir em direcção à capital, Portree, à procura de local onde ficar.
E este, convém dizer-se, pode ser um verdadeiro problema. Não existem muitos hotéis nesta ilha, existem sim muitos dos tradicionais "Bed and Breakfast", uma espécie de alojamento local, em casas particulares. Simplesmente, fosse do facto de ser fim-de-semana ou por se tratar de um dos locais mais visitados na Escócia, quase sempre as placas que as anunciam - e são às dezenas - tinha também por baixo indicado "No vacancies".
Por momentos parecemos destinados a dormir no carro ou ter de pagar muito mais por uma noite do que o apertado orçamento permitiria até que finalmente uma placa anunciava que por ali ainda havia local para dormir. Não sendo dos locais mais em conta para se ficar também não se diga que era por um valor irrazoável e por isso por ali ficámos, tendo sido desde logo avisados de que naquela casa não se andava de sapatos posto que deveriam ficar à entrada. Cumprido o formalismos era tempo de assentar.
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